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Crítica do filme: 'Dois Corações'


Um encontro não que não estava previsto, ou estava! O cineasta mexicano Lance Holl, que lá atrás, há quase 40 anos, comandou a ação em Braddock 2: O Início da Missão, com o lendário Chuck Norris, chega para seu quarto longa-metragem como diretor dessa vez para apresentar uma história baseada em fatos reais que nos apresentam as surpresas emocionantes de duas histórias que correm em paralelo pelas estradas sempre conflitantes dos sentimentos ligados à perda e ao amor. Esse é um filme para assistir com um lencinho do lado!


Na trama, conhecemos Chris (Jacob Elordi) um jovem universitário, que está em busca do que quer fazer de sua vida. Ele possui problemas de relacionamento com o exigente pai e vê sua rotina e destino mudar quando conhece a jovem Sam (Tiera Skovbye) por quem logo se apaixona. Em paralelo a essa história que rumava para uma romance como algum outro qualquer, conhecemos o cubano Jorge (Adam Canto), de família rica que levantou um império de Rum. Desde criança, Jorge possui graves problemas no pulmão mas isso não o impediu de seguir em frente e até encontrar o amor no relacionamento com a aeromoça Leslie (Radha Mitchell). Essas duas estradas, que aparentemente nunca se cruzariam, vão levar uma flechada do destino onde dilemas, dor, amor e perda vão se encontrar em um determinado momentos de suas trajetórias. Como fator de curiosidade, o longa-metragem, conforma já dito, é baseado em fatos reais. O personagem Jorge é inspirado em Jorge Bacardi, um dos herdeiros da famosa marca de bebidas destilada.


A narrativa, em busca do iminente plot twist complica o que deveria ser fácil: explicar com importantes detalhes as duas histórias, que em muitos momentos andam por uma linha previsível e confusa. Quando chegam os dilemas, a trama ganha força insistindo na mensagem que está presente em todas as linhas do roteiro: valorizar os momentos. Acompanhar essa história pelo ponto de vista de Jorge é um caminho mais amplo e cheio de reflexões, até mesmo de forma geopolítica quando detalhes da chegada do governo de Fidel Castro em Cuba fez a sua família se mudar para a Flórida em busca de manter seus empreendimentos. Pelo lado do jovem universitário, vemos um quase adulto sem pretensões na vida preso num eterna problemática na relação com o pai.


Dois Corações aborda um importante tema, que nunca deixou de ser polêmico: a doação de órgãos. Os Estados Unidos, até pouco tempo atrás, tinha o dobro de transplantes de órgãos em comparação a outros países, inclusive o Brasil. Mas isso não deixa de tirar méritos de nosso país no quesito, já que ocupamos a segunda posição no ranking mundial, a diferença para a maior potência do mundo são os investimentos nessa área. Tomara que o filme, com o sucesso de sua entrada na Netflix gere cada vez mais reflexões sobre esse tema tão importante ligado à salvar vidas.



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