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Crítica do filme: 'O Soldado que não Existiu'


Cinco anos após do seu último trabalho nos cinemas, o excelente Armas na Mesa, o cineasta britânico John Madden retorna para as telonas para contar a história, quase inacreditável, de uma situação envolvendo espionagem, um cadáver e uma blefada que marcou os rumos da Segunda Guerra Mundial. Baseado no livro Operação Mincemeat: A verdadeira história de espionagem que mudou o curso da Segunda Guerra Mundial escrito pelo historiador Ben Macintyre, O Soldado que não Existiu é um deleite para os amantes sobre histórias da maior das guerras.


Na trama, conhecemos o alta patente da inteligência naval britânica Ewen Mantagu (Colin Firth) que fica responsável juntamente com outro oficial, Charles Cholmondeley (Matthew Macfadyen), de colocarem em prática um plano mirabolante, com o aval de Churchill (Simon Russell Beale), que consiste em buscar enganar os nazistas através de uma mensagem falsa levada nas roupas de um cadáver que é achado numa praia da Espanha no epicentro dos conflitos da segunda guerra mundial, fato que enganou a atenção do exército alemão protegendo a invasão aliada na Sicília. A estratégia ficou conhecida como Operação Mincemeat.


O contexto histórico é importante para um entendimento total do recorte visto no filme. Ainda no meio da Segunda Guerra Mundial, mais precisamente em 1943, com a intensa batalha entre os dois conjuntos de forças militares, as forças aliadas precisavam de um bom cenário para invadir à Itália a partir do norte da África. Com Churchill dando o aval pelo lado britânico, e usando a contraespionagem, exatamente com o objetivo de anular ou pelo menos confundir a inteligência adversária, os ingleses criaram essa história inacreditável onde virou o foco dos nazistas para a Grécia deixando a Sicília. Parte do que é contado no filme, na operação já citada, fazia parte de um plano maior conhecido mais tarde como Operação Barclay.


Um dos méritos do roteiro é conseguir ampliar o recorte dentro de sua principal premissa, enchendo de dinamismo a peculiar história da operação Mincemeat. As subtramas vão de uma suspeita do irmão espião soviético, o contexto familiar turbulento sobre um casamento em crise de Mantagu atravessando uma disputa entre os dois oficiais de alta patente, protagonistas do filme, pelo amor de uma mulher, além da presença do escritor e ex-oficial britânico Ian Fleming, o autor futuro do mais conhecido espião do mundo das artes: James Bond, o 007.


Madden já havia circulado a Segunda Guerra Mundial no seu longa-metragem de duas décadas atrás O Capitão Corelli, protagonizado por Nicolas Cage e Penélope Cruz. Essa mesma história, que acontece em O Soldado que não Existiu, já foi contada no cinema uma única vez, em meados da década de 50, O Homem Que Nunca Existiu (1956) dirigido por Ronald Neame, mas esse filme não é um remake, nem serviu de inspiração. Como já mencionado, a obra Operação Mincemeat: A verdadeira história de espionagem que mudou o curso da Segunda Guerra Mundial foi a base do roteiro.


O Soldado que não Existiu, ainda tem um elenco maravilhoso que inclusive conta com os dois intérpretes do famoso personagem de Jane Austen nas adaptações audiovisuais da obra Orgulho e Preconceito, Colin Firth e Matthew Macfadyen, o primeiro na versão da década de 90 e o segundo na de 2005.


Pra quem se interessar, O Soldado que não Existiu está disponível no catálogo da Netflix.



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