Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Eu Também não Gozei'


Um dos sete filmes selecionados para a Mostra Aurora, dedicada à novos diretores, dentro da 27a Mostra de Cinema de Tiradentes, o documentário paulista Eu Também não Gozei foca suas reflexões na maternidade, ampliando olhares sobre a questão através de uma busca pela história do próprio filho recém nascido. O projeto, que demorou seis anos para ser feito, utiliza em sua narrativa um vai e vem na linha temporal, ação que encontra um dinamismo, além de um leque de situações que passa a protagonista em busca de sua própria forma de enxergar esse momento marcante da vida.


Os olhos são guiados para Letícia, uma jovem artista moradora da cidade de São Paulo que está grávida do primeiro filho. Sem saber quem é o pai da criança, passa por um intenso processo de mudanças em sua rotina, na espera de alguma resposta sobre essa questão. A partir da ausência desse desconhecido pai, começa a entender sua importância no papel de mãe mesmo envolta de uma solidão persistente. O antes e o depois nos mostram os pontos de equilíbrio alcançados nessa profunda e emocionante história sobre as mudanças que chegam através da pulsação de uma nova vida.


Dirigido por Ana Carolina Marinho, o documentário de pouco mais de 90 minutos parte da ausência, da negação, para construir sua vitrine de emoções onde o medo ligado à incerteza é uma variável presente a todo tempo. Com filmagens realizadas pela diretora e pela própria protagonista, percebemos que as dúvidas sobre o futuro ajudam a abrir os olhares para situações que envolvem a maternidade chegando inclusive a uma jornada de reflexões sobre a própria história da personagem principal.


Reunindo diversas situações que Letícia passa durante esse processo, um fato marcante é na hora do registro da criança e logo depois as questões jurídicas de uma inacreditável não aceitação de teste de paternidade. Esse último ponto chega para se refletir sobre as leis e um direito criado por homens para homens que se distancia de questões morais e que não reflete sobre o que passam as mulheres.


Para certas situações na vida, não existe preparo, nem ensaio. Eu também não Gozei utiliza o cinema e sua linguagem como um porta-voz de uma história que podem ser igual ou parecida de muitas outras mulheres.


Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...