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Crítica do filme: 'Not Dead'


Um dos sete filmes selecionados para concorrer ao troféu barroco dentro da competitiva Aurora da Mostra de Cinema de Tiradentes em 2024, o documentário baiano Not Dead reflete sobre a ideologia, e seus muitos olhares, de um movimento que teve seu início na década de 70 na Inglaterra e atingiu com grande força a trajetória de alguns jovens baianos que tinham um ponto de encontro, uma loja de artigos musicais e voltada ao universo punk chamada Not Dead. Ao mesmo tempo que se mistura com a concepção do próprio filme, inclusive incluindo a importante temática da acessabilidade, o trabalho do cineasta Isaac Donato encontra sua força nas novas maneiras de personagens reais ligados ao movimento punk baiano enxergarem a sociedade nos dias de hoje onde estão inseridas suas novas realidades.

Tudo começa em um edifício colonial construído em 1549 na Rua Chile, a primeira fundada no Brasil, perto da praça Castro Alves, no centro de Salvador, um lar de descobertas de parte do cenário jovem baiano de décadas atrás onde existia um lugar de encontros onde os pensamentos se alinhavam sobre os novos rumos do Punk, na linha do espírito de nunca deixar o som morrer. O discurso do projeto contorna alguns recortes para buscar ampliar os horizontes mais em cima da linha da ideologia, da indomável sensação que muitos personagens tinham de ir pra cima do que pode ser desconhecido e dentro da política do ‘faça você mesmo’.

O documentário resolve caminhar no depois sem se aproximar muito no antes, fato que atrasar o dinamismo. Assim conhecemos personagens, alguns bastante carismáticos, do cenário punk baiano que após anos nessa estrada também precisaram se virar com a parte do seu próprio sustento. Assim, aproveitaram oportunidades na marcenaria, como mototáxi, cervejeiro artesanal, mas sem nunca perderem o espírito da ideologia que acreditavam. As leituras sobre o movimento punk e a importẫncia social se chocam nessa superficial análise do antes e uma profunda do depois, na descrença de alguns pontos e um novo olhar para outros dentro dessa ideologia repleta de interpretações.

Um fator interessante por aqui é que o longa-metragem de pouco mais de 70 minutos traz para o espectador o assunto da audiodescrição dentro do audiovisual, personificada em um representante importante do movimento punk baiano que tem deficiência visual instigando novos olhares para dentro de uma mesma obra. Diretor do intrigante Açucena, Isaac Donato se consolida como um diretor com total domínio dos assuntos que aborda tendo muito a oferecer aos amantes da sétima arte.



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