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Crítica do filme: 'A Filha do Rei do Pântano'


O olhar imaturo e as releituras das relações. Buscando um olhar minucioso numa relação conturbada entre filha e pai dentro de um doloroso confronto com o passado, A Filha do Rei do Pântano busca uma constante tensão através de uma forte conexão com o medo e as dificuldades de confiar. Dirigido pelo cineasta norte-americano Neil Burger, do ótimo O Ilusionista, um jogo de caça e caçador é estabelecido através dos conflitos emocionais, algo que domina o tempo de tela, se perdendo em sua narrativa que carece de ritmo.

Na trama, conhecemos Helena (Daisy Ridley), que no passado viveu isolada ao lado do pai Jacob (Ben Mendelsohn) e da mãe Beth (Caren Pistorius) sendo criada de forma selvagem pelos ensinamentos do primeiro. Certo dia, durante a infância, após fugir com sua mãe, é revelada a ela que o pai as mantiveram em cativeiro durante anos. O tempo passa e Helena vive nos tempos atuais, casada, já com uma filha, mas como se não encontrasse um lugar para viver em meio aos seus intensos traumas que voltam com frequência. Quando seu pai consegue fugir da prisão, o pesadelo aparece de novo na sua frente.

O que se vê no reflexo dos olhos? A narrativa se desenrola a partir do forte elo estabelecido entre pai e filha, com a segunda sendo colocada em um caminho de desconstrução quando cai na sua frente as verdades desse pai. A composição da protagonista é bem feita, atormentada pelos traumas parece em total desequilíbrio como se uma página do livro de sua vida estivesse sempre aberta. Essa questão da relação encosta no melodrama e aqui a direção se perde, buscando movimentos para personificar os traumas. Aliado a isso, o ritmo é inconstante, deixando o caminho até o clímax uma viagem sonolenta pelo desequilíbrio emocional.

Com o lema: ‘Sempre proteja a família’, e suas diversas interpretações que vão mudando conforme conhecemos mais dos personagens, A Filha do Rei do Pântano não alcança todo seu potencial, deixando que uma interessante construção da protagonista afundasse em uma narrativa que não alcança o fôlego para sustentar a releitura de uma relação.  



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