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Crítica do filme: 'The Tender Bar'

 


As memórias e os ensinamentos que temos pelo nosso viver. Baseado no livro homônimo do escritor norte-americano, vencedor do Pulitzer, J. R. Moehringer, The Tender Bar aborda a questão da família em cima do subtópico ‘pai é quem cuida’. Ao longo dos reflexivos 106 minutos de projeção acompanhamos a saga de um jovem que busca na referência de seu tio razões para encontrar felicidade em um mundo repleto de conflitos e onde quase sempre as coisas não saem como planejado. A direção é assinada pelo ganhador do Oscar George Clooney e com destaques para as atuações de Ben Affleck e Tye Sheridan.


Na trama, conhecemos Jr (Tye Sheridan) um jovem repleto de sonhos que cresceu nas dificuldades que sua mãe (Lily Rabe) enfrentou em sua jornada de mãe solteira, tendo que recomeçar a vida e voltando para a casa do seu avô (Christopher Lloyd), onde mora também seu tio Charlie (Ben Affleck) que acaba virando sua grande referência na vida. Charlie tem um bar, com enormes referências à literatura, e onde Jr passa muitos de seus dias aprendendo nas leituras de clássicos mas também com as histórias de vida dos frequentadores.


Há uma linha muito delicada, traçada, para mostrar a questão da referência. Há um conflito enorme no personagem principal que é muito bem explicado com o paradigma dos sonhos de sua mãe para ele e a liberdade das escolhas que chegam por meio de seu tio. No arco final tudo faz muito sentido e vale o destaque para um diálogo profundo entre o protagonista e sua mãe sobre o que ele realmente quer da vida. E falando nesse tio, é quase um outro protagonista. Personagem difícil de decifrar, um autodidata limitado à sua bolha, culto e sem ambições, com seus conflitos no presente e no passado, que precisa ser uma espécie de pai para seu sobrinho. Ben Affleck rouba a cena em muitos momentos, em uma interpretação profunda, delicada e corajosa.


O filme, lançado no início de 2022 diretamente na Amazon Prime Video, por meio das memórias de J. R. Moehringer , nos prende a atenção do primeiro ao último minuto e de várias formas nos faz refletir sobre nossas próprias vidas e todas as referências que encontramos em nosso longo caminho entre sonhos, obstáculos e a necessidade quase impositiva de ser feliz.

 

 

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