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Crítica do filme: 'Gêmeo Maligno'


As barreiras do sonho e seu desesperante acordar por meio do reflexo das emoções e medos. Dirigido pelo cineasta Taneli Mustonen, Gêmeo Maligno nos leva a uma jornada cheia de saídas onde nos damos conta de um clima de mistério no ar que caminha entre a razão e a loucura. Essa produção finlandesa falada em inglês e com locações na Estônia busca surpreender com reviravoltas mirabolantes principalmente em seu desfecho. A direção é competente, nos deixa em um clima de tensão constante. As suposições abrem argumentações diferentes sobre qual o sentido em relação a tudo que vemos.

Na trama, conhecemos o casal Rachel (Teresa Palmer) e Anthony (Steven Cree) que após uma trágico acidente de carro, onde perdem um dos filhos gêmeos, resolvem se mudar para Finlândia, numa casa isolada que servia como uma espécie de paróquia do lugar. Anthony que é escritor finlandês, conhece mais a região do que a esposa. No início buscam se familiar com tradições locais em uma região que insiste em falar a língua local mesmo sabendo o inglês. Não conseguindo de adaptar, seu cotidiano é repleto de sonhos estranhos e a desconfiança em relação a tudo e a todos começa a ser algo presente.


O recomeço é algo que está na estrada de reestruturação emocional dessa família ainda muito abalada pelo acidente que culminou na partida de um dos gêmeos do casal. As primeiras linhas do roteiro nos levam para reflexões sobre o luto, o tempo de assimilar uma perda e seguir em frente. A culpa também está embutida nessa passagem, assim como as lembranças, as referências em muitos lugares e até mesmo as metáforas em forma de sonhos/pesadelos.


O misticismo toma conta da história em determinado momento, complicando lacunas não preenchidas. Mas seria um artifício para esconder as verdades da trama? Assim buscamos o entendimento das ações que se sucedem pelos olhos de Rachel. O enxergar ao seu redor a leva em uma jornada onde se juntam as reflexões sobre o papel da mãe, o lado materno. Os curiosos recortes, não associados a fé, voltam na questão da culpa, forma abstrata que precisamos percorrer para o entendimento dessa história.


Gêmeo Maligno caminha nas tensões do medo para desabrochar como um recorte tendendo ao psicológico que acaba fazendo sentido no momento em que entendemos as verdades.

 

 

 

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