Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Sideways - Entre Umas e Outras' *Revisão*


Quando as coisas não saem como planejado é necessariamente algo ruim? Com um brilhante roteiro, baseado num romance escrito por Rex Pickett (que teve seu lançamento somente após o filme estrear), que mostra inteligentes paralelos sobre os caminhos de uma trajetória, as ascensões e declínios com as diversas formas de enxergar a vida, Sideways - Entre Umas e Outras foi um dos mais marcantes filmes lançados no ano de 2005. Dirigido pelo cineasta Alexander Payne, vencedor de um Oscar e mais de 90 indicações à prêmios em diversos festivais, esse projeto possui um dos mais brilhantes roteiros escritos na última década.


Na trama, conhecemos aos amigos, desde os tempos de faculdade, Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas Haden Church). O primeiro, um professor de inglês, divorciado faz dois anos, parece embolado em uma melancolia não conseguindo ser um sucesso como escritor. O segundo, um inconsequente ator, longe do estrelato, que vai se casar em breve. Pensando em sair por alguns dias antes do dia do casamento de Jack, rumam para uma viagem, um verdadeiro tour pelas vinícolas de uma região norte-americana. O destino deles acaba cruzando com as amigas Maya (Virginia Madsen) e Stephanie (Sandra Oh), a primeira uma garçonete recém divorciada que está terminando seus estudos na faculdade e a segunda uma mãe solteira que trabalha em um bar. Essa viagem e esse encontro vai mudar para sempre a maneira como lidam com suas vidas.


O estalo do recomeçar é um ponto importante a ser analisado e que circula pelas ações dos personagens, principalmente pelo protagonista. Conversando sobre a vida, entre umas e outras, desabafos sobre a vida até ali, os erros e os acertos de uma trajetória que parece longe de encostar em uma plena felicidade dentro de um presente de incertezas se tornam algo marcante. Cada um dos dois amigos tem representações abstratas como a imaturidade, a inconsequência, a melancolia, quem chega nessa análise consegue entender melhor todo o contexto que fica pelas entrelinhas.


Com uma narrativa acoplada a um desenvolvimento brilhante com inteligentes diálogos que contornam a trama, Sideways não é um filme sobre vinhos, é um filme bastante reflexivo sobre segundas chances. Mas falando sobre vinhos... Pinot noir, Chardonays, uma enorme carta de vinhos ganha um desfile e aqui um fato curioso ganha notoriedade. Após o lançamento do filme, as vendas de Pinots aumentaram em mais de 15%, não só nos Estados Unidos mas na Inglaterra, fato que foi relacionado ao projeto.


Caso você se interesse em assistir (digo que vale muito a pena!), o filme está disponível no ótimo catálogo da Star Plus.



 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...