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Crítica do filme: 'Propriedade'


O choque guiado pelo não diálogo. Exibido em diversos festivais no Brasil e no mundo, um dos mais impactantes filmes brasileiros dos últimos tempos finalmente chega ao circuito exibidor trazendo no colo uma história forte, aterrorizante, onde os conflitos de classes se mostram evidentes entre dois mundos que entram em um confronto inconsequente. Escrito e dirigido por Daniel Bandera, Propriedade traça paralelos importantes com a sociedade de hoje, principalmente nos distanciamentos aos diálogos construtivos e a falta de compreensão para que se resolvam diferenças.


Na trama, conhecemos Tereza, uma mulher de família rica (Malu Galli) que no passado fora vítima de um assalto que acabou na morte do assaltante, fato que a deixou traumatizada. O tempo passa e junto ao seu marido resolvem fazer uma viagem para a fazenda da família no interior. Só que chegando no lugar, os trabalhadores que prestam serviços lá, liderados por Dona Antônia (Zuleika Ferreira), se revoltam por uma série de situações e tomam o lugar. Tereza consegue se trancar no seu carro mas sem ter a chance de fugir. Assim, começa um jogo psicológico onde a não comunicação se torna um elemento importante para refletirmos sobre o que assistimos até o último segundo de projeção.


Como se colocar no lugar do outro? Rodado antes da pandemia, no segundo semestre de 2018, em São José da Cora Grande, cidade de pouco mais de 20.000 habitantes, situada no litoral sul de Pernambuco, o longa-metragem, de passagens marcantes em inúmeros festivais de cinema, embarca em uma narrativa repleta de tensão onde o chocar se torna uma ferramenta importante para o refletir. Os conflitos emocionais logo viram combustível de sobrevivência, aqui sob duas óticas, onde chegamos em interrogações, as principais: afinal, tem alguém certo nessa história? Tem heróis e vilões? As respostas podem ser bem diversas para essas questões.


A habilidade de Bandera ao conduzir essa história é vista nos detalhes, na força do discurso fortemente encravado nas linhas do roteiro pelo duelo das antagonistas. Tereza e Dona Antônia, brilhantemente interpretadas por Malu Galli e Zuleika Ferreira, respectivamente, nos guiam de forma angustiante para os abismos no diálogo de posições sociais distintas que parecem nunca se entenderem. De um forte drama somos surpreendidos para uma grande virada, um abre alas onde chega o terror, um lugar em que a aflição toma conta da nossa atenção.

 


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