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Crítica do filme: 'A Câmara'


O estacionar a câmera num lugar onde histórias nascem a todo instante. Exibido no recorte Olhos Livres durante a Mostra de Cinema de Tiradentes 2024, o documentário brasiliense A Câmara, dirigido pela dupla Cristiane Bernardes e Tiago de Aragão, nos apresenta os bastidores do poder em Brasília através de ações e reações de algumas deputadas federais em um período perto de nova eleições. Curiosidades da direita e da esquerda são colocadas à mesa onde a interpretação do fazer política vira algo bem próximo aos nossos olhos.

Os assuntos de interesse da população, como pautas sobre educação e direitos humanos, se misturam com algumas necessidades de se posicionar para as próximas eleições, ainda dentro do governo do ex-presidente Bolsonaro. Com a câmera ligada em várias situações, inclusive num quase inimaginável cantinho de oração da bancada evangélica e embates calorosos, vamos vendo um real cenário das polarizações e uma busca constante por consenso.

Esses bastidores do poder nos mostram também algumas verdadeiras atuações e as ‘conversas’ com seus votantes através de mensagens, muito dentro do posicionamento nas redes sociais, vídeos de uns para os outros da mesma bancada, variáveis que nos levam a associar a um verdadeiro palco onde os eleitos se tornam estrelas, personagens reais dentro apenas de suas próprias narrativas.

Buscando ser um profundo recorte sobre a política brasileira através de um foco totalmente observador estático, o documentário busca se sustentar na busca pelo imprevisível, porém o olhar através do aleatório muitas vezes pode ser algo que não transmite além da superfície.


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