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Crítica do filme: 'Rivais'


Nas batidas de tudo que é abstrato. Chegou aos cinemas nos últimos dias uma obra que abraçada com seu ritmo pulsante, mostra um intenso triângulo amoroso que percorre anos, com personalidades conflitantes no centro desse tabuleiro muitas vezes parecendo um vulcão, prestes a entrar em erupção. Sensual, inteligente, reflexivo, Rivais, dirigido pelo cineasta italiano Luca Guadagnino escancara o abstrato, dá um tapa na caretice e mostra uma história com mil e uma possibilidades.

Na trama, conhecemos os inseparáveis amigos Patrick (Josh O'Connor) e Art (Mike Faist) que tem como elo uma paixão pelo esporte favorito, o tênis. Disputando alguns torneios ainda adolescentes, um dia conhecem pessoalmente Tashi (Zendaya), uma jovem promissora nesse esporte. Após algumas idas e vindas, um triângulo amoroso acaba sendo instaurado sem possibilidades de se prever o que aguardaria seus destinos.

Com direito a uma interpretação musical do nosso Caetano Veloso, o filme busca contornar o conflito encostando aos poucos nos dilemas. Há uma opção de ir além da superfície quando o assunto é o sentimento borbulhante do amar, a partir disso chegamos em traições, ambições que nos fazem refletir sobre os valores morais e as imposições de sonhos custe o que custar.

O produzir verdades do que pode acontecer em alguma realidade, as falhas de caráter ligadas à imaturidade, os erros e acertos, a busca por aceitação, são colocados num mesmo pote para se adaptar fortes sentimentos em imagens se juntando assim às infinidades da linguagem cinematográfica. Esses fatores transformam Rivais em um filme fora da caixa, se aproximando de algo original, longe de qualquer taxação de convencional, mais um trabalho deveras interessante de Luca Guadagnino.

O ritmo é intenso, tudo que assistimos tem suas origens mostradas, a narrativa percorre uma extensa faixa de tempo com flashbacks de apoio como se fossem peças de um quebra-cabeça emocional. Com sequências de tirar o fôlego, traçando paralelos entre a vontade de vencer no jogo profissional e no da vida, somos logo jogados a imersão de uma história onde o ponto final pode ser apenas o início de um recomeçar.   


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