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30/01/2026

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Crítica do filme: 'Hacker Leonilia' [Mostra de Cinema de Tiradentes 2026]


Selecionado para a 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, o engenhoso trabalho do brasiliense Gustavo Fontele Dourado, Hacker Leonilia, explora a ficção cientifica entrelaçada à aventura por meio de técnicas de animação e da extensão do mundo real para o digital - seja pela identidade ou mesmo pela interatividade. Um projeto criativo, com ótimo desenvolvimento de sua protagonista: uma idosa hacker que busca na força das memórias uma luta contra o universo que está presa. A obra é baseada, em parte, na história da avó de Gustavo, Leonilia Ferreira.

Os caminhos para esse roteiro não devem ter sido fáceis, já que o que se apresenta em tela é uma sofisticada estrada para se chegar na autorreinvenção através de uma realidade virtual. Há um simbolismo importante sobre a vida eterna, do embate entre meio ambiente e tecnologia, assim como dos laços que se distanciam por questões ligadas ao passado. Da utopia de um mundo ideal à distopia que expõe sinais evidentes de alerta, vamos entendendo diversas razões humanas como o estopim de uma mudança de rota.

Para recriar toda essa ideia, a materialização parece ser feita, em partes, através da ilusão do movimento em fotografias quadro a quadro (stop-motion) combinada a técnicas em 2D (desenhos sequenciais). Essa junção imprime um ritmo bastante corrido, fazendo com que algumas pontas fiquem soltas - algo que não influencia o entendimento - por isso a atenção do público é necessária. Festas realizadas por meio de lives, andróides que assumem formas humanas, elementos vão sendo inseridos para compor um cenário extenso de um metaverso e também toda a denúncia quando esse universo se revela nocivo.

Hacker Leonilia integrou a excelente seleção de curtas-metragens brasileiros que foram exibidos na principal praça da cidade de Tiradentes (MG), localizada no Largo das Forras. Um filme que impressiona pela sagacidade em transmitir suas reflexões sobre a vida, inseridas em um debate atual sobre tecnologia.

 

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Crítica do filme: 'Lomba do Pinheiro' [Mostra de Cinema de Tiradentes 2026]


Buscando a identidade coletiva através de uma narrativa híbrida, com elementos sobrenaturais, que explora um mito através de uma das primeiras áreas indígenas do sul do nosso país, o curta-metragem Lomba do Pinheiro, dirigido por Iuri Minfroy, registra uma imersão cultural ligada à ancestralidade em um recorte que se propõe amplo, articulado por diálogos sobre o cotidiano.

Com apenas 19 minutos, o projeto rompe as fronteiras entre a ficção e o documentário ao apresentar o cotidiano de integrantes da aldeia kaingang Fag Nhin, situada na zona leste de Porto Alegre, por meio de suas rotinas. Do artesanato ao treinamento de um time de futebol feminino, passando pela inserção da tecnologia na cultura indígena e pelo desejo de documentar a história da aldeia, aos poucos vamos sendo conquistados por essa narrativa inventiva, que chega em ótimas reflexões.

O curioso se mostra presente através de depoimentos que nos situam diante de relatos sobre aparições de um possível lobisomem, que já fora visto por diversas pessoas na região. Essa junção do sobrenatural ao concreto dos desafios de um povo que enfrenta enormes obstáculos para manter sua cultura viva se insere no mar de possibilidades que a linguagem cinematográfica oferece – e aqui é amplamente oferecida pela narrativa.

Lomba do Pinheiro foi selecionado para o recorte Panorama da Mostra de Cinema de Tiradentes 2026. Um filme que dribla algumas fragilidades técnicas através da força de uma narrativa.

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Crítica do filme: 'Tião Personal Dancer' [Mostra de Cinema de Tiradentes 2026]


De uma forte expressão cultural ligada à celebração coletiva às surpresas da intensidade da atração, em Tião Personal Dancer somos convidados a acompanhar um jogo de sedução de duas almas solitárias que tem a pista de dança como cenário. Dirigido por Aristótelis Tothi, o curta-metragem foi uma das obras selecionadas para o recorte Panorama da Mostra de Cinema de Tiradentes 2026.

Reginaldo (Adolfo Moura) faz parte de um de amigos que sempre que podem estão pelas casas de forró espalhadas por Goiânia. Numa sexta-feira dessas, a atenção de Reginaldo se fixa em Tião (Otto Caetano), um professor de dança profissional. Ao longo da noite, de um evento a outro, algo parece se conectar para esses dois universos.

Ao longo de 23 minutos e embalada pela batida do forró, a narrativa progride de forma envolvente ao transformar um momento de lazer em uma oportunidade de encontro. Buscando a todo instante uma curta experiência de impacto, focada em dois personagens, com construções sensoriais marcantes – a trilha sonora, o silêncio, cores, luz, enquadramentos – a obra abre seus leques de reflexões confiando mais na sutileza das cenas do que em uma maior imposição.

O roteiro posiciona seu discurso para o interpretar o que acontece através da atração, um caminho complexo e cheio de estradas, mas que aqui encontra equilíbrio ao enfatizar as sugestões em vez de romper camadas de explicação. Explorando muitos elementos cinematográficos de forma simples - e também inventiva -, Tião Personal Dancer camufla suas intensidades deixando caminho aberto para as poesias da atração.   

 

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Crítica do filme: 'Nosso Amigo Romário' [Mostra de Cinema de Tiradentes 2026]


Em um dos dias de Mostra de Cinema de Tiradentes 2026, nos encontramos com um filme repleto de simbolismos, que percorre os caminhos curiosos do inusitado para atravessar razões existenciais de grande valor. Nosso Amigo Romário, escrito e dirigido pelo cineasta mineiro Antonio Pedroni, valoriza a atmosfera ligada às emoções, construindo uma experiência emocional marcante que convida para lindas reflexões e gerando muitas lições.

No interior de Minas Gerais, no ano da copa do mundo de futebol masculino de 1994 – aquela mesma onde o Brasil venceu – conhecemos Francisco (Carlos Francisco), um senhor de idade que vive em uma casa humilde junto de sua filha Renata (Paula Amorinni) e seu neto Pedrinho (Daniel Pedro). Um dia, ele se depara com uma fato peculiar: encontra um alienígena a poucos metros de casa e passa o restante dos dias criando um forte vínculo de amizade com ele.

Selecionado para a Mostra Praça, no lindo Cine Petrobrás, a céu aberto, esse é um filme que nos instiga a ver o mundo através de seu protagonista. Utilizando vetores de afeto para provocar interessantes diálogos, a narrativa nos conduz para questões existenciais – sobretudo à oposição conceitual entre a vida e a morte – e também a beleza de simples gestos, o voltar a ser criança e as lembranças que despertam.

A compaixão logo se mostra presente, sendo um alicerce acoplado na ingenuidade. Nada é forçado, tudo é construído com a força da beleza das relações, da empatia, da dinâmica familiar. Em 18 minutos, sem muitas inovações quando pensamos em possibilidades para a linguagem cinematográfica, vemos uma obra pés no chão mas que levita para as possibilidades através de uma atuação emocionante de Carlos Francisco. Lindo filme.

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