De uma forte expressão cultural ligada à celebração coletiva às surpresas da intensidade da atração, em Tião Personal Dancer somos convidados a acompanhar um jogo de sedução de duas almas solitárias que tem a pista de dança como cenário. Dirigido por Aristótelis Tothi, o curta-metragem foi uma das obras selecionadas para o recorte Panorama da Mostra de Cinema de Tiradentes 2026.
Reginaldo (Adolfo
Moura) faz parte de um de amigos que sempre que podem estão pelas casas de
forró espalhadas por Goiânia. Numa sexta-feira dessas, a atenção de Reginaldo
se fixa em Tião (Otto Caetano), um
professor de dança profissional. Ao longo da noite, de um evento a outro, algo
parece se conectar para esses dois universos.
Ao longo de 23 minutos e embalada pela batida do forró, a
narrativa progride de forma envolvente ao transformar um momento de lazer em
uma oportunidade de encontro. Buscando a todo instante uma curta experiência de
impacto, focada em dois personagens, com construções sensoriais marcantes – a
trilha sonora, o silêncio, cores, luz, enquadramentos – a obra abre seus leques
de reflexões confiando mais na sutileza das cenas do que em uma maior
imposição.
O roteiro posiciona seu discurso para o interpretar o que
acontece através da atração, um caminho complexo e cheio de estradas, mas que
aqui encontra equilíbrio ao enfatizar as sugestões em vez de romper camadas de
explicação. Explorando muitos elementos cinematográficos de forma simples - e
também inventiva -, Tião Personal Dancer
camufla suas intensidades deixando caminho aberto para as poesias da
atração.
