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Crítica do filme: 'Flores do Cárcere'


No lugar onde a verdade é uma só, a mentira é uma ilusão. Resgatando o passado de algumas ex-prisioneiras da hoje desativada Cadeia Pública Feminina de Santos, também com paralelos em forma de vídeos antigos caseiros que elas filmaram quando estavam presas em 2005, Flores do Cárcere mostra o antes e depois dessas mulheres. O arrependimento, as situações das detentas que eram mães aos olhos de terceiras, e até mesmo algumas que estavam grávidas, a conturbada e complicada relação entre carcereiras e presidiárias, a nova vida quando são libertadas, os sonhos que chegam lentamente quando enxergam uma vida fora da prisão, a visão da família sobre o cárcere. Flores do Cárcere é dirigido pela dupla de cineastas Barbara Cunha e Paulo Caldas, inspirado no livro homônimo de Flavia Ribeiro de Castro.


A cadeia precisa cumprir o papel de reeducação? Ou serve apenas para a criminosa cumprir sua pena? Há segundas chances nessa vida? 250 mulheres em 10 celas. A sensação de acordar e dormir trancadas. O sentimento de vazio. Lembranças de um tempo triste. Ex-traficantes, relacionamento com más companhias, crimes dos mais diversos tipos. Nenhuma das entrevistadas nasceu presa, elas estavam na condição de presas. Um momento da vida delas.


O Brasil possui um pouco mais de 40.000 presidiárias nas mais diversas penitenciárias femininas. Algumas dessas adotam a dança como forma de socializar, atividades promovidas como forma de ajuda para quem está preso. O documentário, exibido anos atrás no Festival do Rio de cinema, não deixa de ser um grande recorte sociológico inserido dentro do contexto de sentimento de liberdade, uma luta para não continuar presa estando livre.

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