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Crítica do filme: '101 Reykjavík'


As questões do ‘como ou porquê’. Lançado a quase 20 anos, segundo longa-metragem da carreira do ótimo diretor islandês Baltasar Kormákur, 101 Reykjavík é um recorte interessante e até certo ponto atemporal sobre a saída de um homem da bolha em que vive, esperando o passo dos outros antes de dar o seu primeiro, vendo sua vida passar em sua frente sem qualquer sinal de esperança ou plena felicidade. Uma comédia com pitadas de crise existencial que mostra nas entrelinhas das eternas dificuldades de alguns no entender-se com as relações humanas. Roteiro assinado por Kormákur, baseado no livro homônimo de Hallgrímur Helgason.


Na trama, conhecemos Hlynur (Hilmir Snær Guðnason), um amargurado boêmio da vagabundagem que vive seus dias refletindo sobre a vida e buscando soluções rápidas para seus conflitos. Ele mora com mãe em uma casa padrão classe média baixa e vive de ajuda do governo para desempregados. Certo dia, chega na cidade Lola (Victoria Abril), uma professora espanhola de flamengo que logo vira amiga e em seguida namorada de sua mãe. A chegada de Lola dá uma grande reviravolta na acomodada e pacata vida do protagonista.


Há uma melancolia misturada com uma pré-disposição à depressão apresentada pelo curioso personagem, um homem sem muitas pretensões na vida que resolveu vestir as roupas de acomodado eterno vivendo dia após dia fumando seus inúmeros cigarros e indo a bares lotados para tomar cerveja e observar os outros. Suas observações é bem conservadora e isso gera um efeito reverso quando preciso sair do seu pensar e atualizar quando sua mãe resolve se assumir lésbica e ao mesmo tempo Hlynur tem a descoberta de que vai ser pai. Assim, o ‘eremita vivendo em um monastério’ precisa se jogar na vida, aprender, errar, acertar, pois todos sabemos que ela é uma só.


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