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Crítica do filme: 'Coração Delator'


Trazendo para debate, mesmo que em plano de fundo, a importante questão da gentrificação e também do transplante de órgãos, o longa-metragem argentino Coração Delator chegou recentemente na Netflix. Escrito e dirigido pelo cineasta argentino Marcos Carnevale, de sucessos como Elsa & Fred - Um Amor de Paixão e Granizo, o longa-metragem busca num previsível romance água com açúcar criar caminhos para suas questões que atingem paralelos, de alguma forma, na realidade.

Juan Manuel (Benjamín Vicuña) é um empresário bem sucedido do ramo das construções. Um workholic declarado, com dificuldades em relacionamentos amorosos. Certo dia, no caminho para mais uma viagem com amigos milionários, passa mal e logo se constata que ele precisa de um transplante de coração urgente. Meses se passam e sua forma de olhar a vida começa a passar por mudanças, e ele resolve conhecer melhor a família do homem que lhe permitiu ser transplantado. Só não esperava se apaixonar pela viúva do doador, Vale (Julieta Díaz).

Com muitas filmagens acontecendo em Lanús, província de Buenos Aires, o foco aqui é o amor, ou mesmo a redescoberta desse sentimento poderoso. A narrativa se joga num mergulho sem olhar pra trás no mundo dos clichês do gênero. Com a já batida jornada de modificações do homem rico que se transforma ao passar por uma situação de vida ou morte, somos conduzidos para uma estrutura que apenas alcança pinceladas de senso crítico sobre o que vem ao redor.

O olhar mais atento chega numa crítica social importante sobre a valorização imobiliária e num automático êxodo da população com raízes culturais no lugar (gentrificação) e também para a importância da doação de órgãos, momento sempre delicado para toda família. Esses importantes assuntos que circulam pela trama são diluídos dentro de uma esticada de tapete vermelho para um amor inesperado, se tornando aos poucos um suco de ‘sessão de tarde’ completamente previsível.

 

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