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Crítica do filme: 'Criatura Voraz'


Ao pensar em filmes de terror, é comum imaginarmos cenas carregadas de tensão, criaturas assustadoras e aquela constante busca pelo susto. Mas como transformar o medo e a tensão em algo eficaz dentro de uma narrativa simples? É justamente isso que o cineasta canadense Chad Archibald propõe em Criatura Voraz. Escrito e dirigido pelo mesmo, o filme — que chegou discretamente ao catálogo da MAX — utiliza de forma inteligente os temores do subconsciente para construir sua atmosfera, ao mesmo tempo em que conduz o espectador a reflexões profundas sobre a relação entre pais e filhos.

Cynthia (Ashley Greene) é uma psiquiatra com dom de Clarividência. Utilizando seus métodos não reconhecidos pela ciência, ela atende alguns casos em sua casa após um trauma que tomou conta de toda sua família. Um dia, uma jovem entra desesperada à procura de Cynthia, dizendo que precisa de sua ajuda já que afirma que uma entidade está destruindo a vida dela e a de seu pai. Assim, a protagonista, e sua filha Jordan (Ellie O'Brien), vão passar os dias que se seguem numa terrível batalha contra o sobrenatural.

A gente fala muito aqui sobre camadas que são atingidas em roteiros que se abrem conforme os acontecimentos se desenrolam. Em Criatura Voraz acontece uma quebra importante dessas camadas, ampliando nossos horizontes, nos levando de um terror sobrenatural até os traumas, o medo e estremecidas nas relações entre pais e filhos. Sem esquecer do sustos, das aterrorizantes maquiagens de entidades inexplicáveis e um pouco de clichês muito vistos em filmes do gênero terror, o projeto consegue prender nossa atenção do início ao fim.

Com poucos personagens aparecendo em cena, e com as criaturas misteriosas ligadas ao sobrenatural sendo apenas a ponto do iceberg, o projeto propõe um debate interessante sobre os fatos do passado (e não tratados) que influenciam comportamentos futuros e formas de enxergar um presente. Não chega a ser um grande aulão sobre a mente humana mas o debate encosta muito nesse tema. Por meio de mensagens indiretas, tendo o trunfo da narrativa alegórica e os possíveis paralelos com algum fato que encosta na realidade, enxergar essa obra além do terror é um exercício que se mostra interessante.  

 

 

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