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Crítica do filme: 'Um Time Show de Bola'

Nossos vizinhos argentinos utilizando técnicas de animação é uma coisa que não vemos todo ano aqui no Brasil. Juntando o amor pelo futebol que unem os dois países e com personagens que lembram ex-jogadores latinos, o ganhador do Oscar Juan José Campanella (O Segredo dos Seus Olhos) se junta a Gastón Gorali, Roberto Fontanarrosa e Eduardo Sacheri (roteirista de O Segredos Seus Olhos) para criar uma história rica em ensinamentos para cinéfilos de todas as idades.

Um Time Show de Bola conta a história de Amadeo, um adolescente que vive e trabalha como garçom em num bar de pouco movimento numa pequena cidade na Argentina. O tímido jovem é um exímio jogador de pebolim (também conhecido como Totó em algumas regiões brasileiras) e morre de amores por sua amiga de infância Laura. Certo dia, é desafiado pelo jovem mais malandro do vilarejo, Colosso, para uma partida e acaba vencendo dando um show. Anos mais tarde, Colosso se transforma no melhor jogador de futebol do mundo, e volta para casa disposto a se vingar da única derrota que sofreu em sua vida. Como num passe de mágica, seus eternos amiguinhos do seu jogo de Pebolim ganham vida e juntos embarcam numa emocionante viagem cheia de aventuras para salvar Laura e o vilarejo onde moram.

O filme desenvolve muito bem situações relacionadas à amizade, trabalho em equipe, companheirismo e confiança. É uma grande aula de cinema para a molecada aplicada pelo genial diretor argentino Juan José Campanella (O Segredo dos Seus Olhos). A técnica de animação é um mero detalhe dentro da película. Os personagens são fascinantes. Beto, com suas trancinhas, que lembram o ex-jogador de futebol profissional colombiano Carlos Valderrama, é, sem dúvidas nenhuma, o personagem mais carismático da trama. Seu complexo com a beleza e seu ego aguçado, tornam uma delícia os diálogos com seus companheiros de time.

O vilão da trama é bem mais complexo que em outros filmes bobocas hollywoodianos a que estamos acostumados. O objetivo do personagem é buscar uma forma de redenção para seu único fracasso da vida: uma derrota em uma mesa de pebolim quando criança. Assim, estruturou toda sua vida para um retorno triunfal, desleal e maquiavélico. O desenrolar do personagem é brilhante, ele chega ao objetivo mas não da maneira que sonhou ou mesmo imaginava.

Uma das críticas mais contundentes aparece já no desfecho da história com uma brincadeira em relação aos inúmeros patrocínios que alguns times possuem no futebol e a dúvida que passam certos indivíduos que dominam o futebol fora das quatro linhas. A pergunta que fazemos quando se encerra essa ótima história gira em torno de uma questão que muitos de nós já pensamos. O futebol é um negócio, uma diversão ou as duas coisas? Veja o filme e tire suas conclusões. Bravo!  




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