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Crítica do filme: 'Real - O Plano Por Trás da História'

Money, Money, Money , Money. Plano real, bastidores da política brasileira de governos confusos passados, ritmo alucinante, as verdades ou não. Real - O Plano Por Trás da História, filme bastante polêmico que estreou no circuito brasileiro de exibição faz poucas semanas, chegou recheado de pedras lançadas por muitos por conta do momento de turbulência política que se encontra nosso amado país nos dias atuais. Falando de cinema, o longa metragem dirigido pelo cineasta Rodrigo Bittencourt, opta por dar evidência a um dos maiores economistas que o Brasil já viu, mesmo esse não sendo figura totalmente central (era mais um integrante da equipe) nos fatos ocorridos na realidade. O roteiro possui inflexões ligadas ao ritmo alucinante imposto.  Como um repórter apressado em busca de soltar uma notícia antes de apurar, para não deixar dúvidas, com um grande pente fino no que houve, o filme deixa brechas não preenchidas e principalmente argumentos superficiais.  

Na trama, conhecemos o personagem principal do filme, o famoso e competente economista Gustavo Franco (Emílio Orciollo Netto) que, no início da década de 90 durante o governo de Itamar Franco e após uma sequência de tentativas de planos econômicos confusos que acabaram atrasando demais o desenvolvimento econômico brasileiro chegando ao caos da hiperinflação, é selecionado para fazer parte de um mutirão de economistas renomados com uma única missão: criar uma nova moeda que se transformou no plano real usado até hoje. Ao longo de dias tensos, repletos de discussões e estratégias políticas o grupo precisará encontrar uma solução complicada e mostrá-la ao povo brasileiro, usando o dia após a data da final da copa do mundo vencida pelo Brasil em 1994.

Talvez, para deixar o enredo com mais cara de filme (na visão dos seus idealizadores), muitas coisas foram adicionadas à trama e que fogem da referência da obra 3.000 dias no bunker, de Guilherme Fiúza (de acordo com muitos, bastante fiel aos fatos que aconteceram de fato), de onde o roteiro fora inspirado. Um discurso acalorado do protagonista em cima de um caminhão de som em Brasília e um relacionamento amoroso complicado com a namorada são pelo menos dois fatos que podemos adicionar ao campo da invenção. Ao dar ênfase ao momento econômico histórico de nosso país, o filme procura preencher lacunas com muitos personagens (alguns caricatos como o petista interpretado por Juliano Cazarre) e algumas subtramas desnecessárias se afastando em alguns momentos do seu objetivo principal: mostrar o processo da criação do plano e deixar poucas dúvidas.


Real - O Plano Por Trás da História passou como uma flecha pelo circuito. Seria interessante saber o que os representados acharam do resultado. Tudo é muito corrido no roteiro, tentando buscar construir uma estrada para o caminhão das suposições passar.  

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