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Crítica do filme: 'A Pé ele não vai longe'


A sabedoria para fazer a diferença, a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que posso. O novo trabalho do grande cineasta Gus Van Sant é uma junção do talento dos artistas envolvidos, o excelente roteiro baseado no livro de memórias de John Callahan: Don't Worry, He Won't Get Far on Foot, em uma história de superação e como a arte de alguma forma pode salvar uma vida. Joaquin Phoenix, responsável pelo papel principal, inspirado como quase sempre em sua brilhante carreira, é um ator como poucos, um verdadeiro colírio aos cinéfilos podermos ser contemporâneo de tamanha genialidade e entrega aos seus personagens. Ao longo de quase duas horas de projeção, somos testemunhas de uma grande história com a cereja do bolo vinda do que ouvimos, bastam 25 minutos de filme para a trilha do craque Danny Elfman te conquistar. Van Sant tentava filmar essa história desde os anos 90 e sua ideia na época era ter o ator Robin Williams como protagonista.

Na trama, exibida no Festival de Berlim deste ano e que será exibido no Festival do Rio 2018, conhecemos parte da vida e trajetória de redenção do famoso cartunista norte americano John Callahan (Joaquin Phoenix) que sofrera um grave acidente quando tinha 21 anos, que o deixou paraplégico. Entre as idas e vindas do roteiro, acompanhamos John e as mudanças que sua nova condição transformam sua vida, desde a batalha contra o alcoolismo até o foco nas artes quando resolve se tornar cartunista, sempre com um humor ácido e polêmico.

Calahan aparece em muitas fases de sua vida perto do presente que vivenciamos. Um faz de conta como pintor, compositor, não levar a vida a sério esperando algum milagre de mudança de rota ao seu destino. A bordo de seu ex-fusquinha azul, todos seus dramas chegam ao extremo em um acidente, a confusão de um poste ou uma saída, culminando em uma batida grave, a 145 km/ h. Agora dependente de muitos ao seu redor, até para necessidades básicas, John se envolve em um grupo contra o alcoolismo, conhecendo uma espécie de guru chamado Donny (Jonah Hill, em excelente atuação) que o faz repensar sobre toda sua trajetória.

As idas e vindas pontuais no roteiro dão certo ritmo a trama, o alcoolismo de anos comandam o temperamento do protagonista e nos ajudam a entender melhor essa excêntrica personalidade. Nos emocionamos com tudo que vemos, é uma explosão calorosa de sentimentos que são jogadas na tela. Absorver o lado positivo de tudo que é desconstruído ao longo de todo o processo de ‘cura’ , nos faz enxergar com uma lupa para as simples coisas da vida.

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