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Crítica do filme: 'Whitney'


Doces amargas lembranças. Dirigido pelo ótimo cineasta escocês Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia) mais um documentário sobre, talvez, a mais marcante de todas as vozes das últimas décadas é apresentado ao público, dessa vez sem medo de apresentar as feridas, sendo construído em busca de respostas que nunca teremos mas argumentos que nos ajudam a compreender o porquê de tanta tristeza, em um fim tão trágico de uma voz que nunca vamos esquecer. Assim, percorremos partes da trajetória de Whitney Houston, desde seus tempos iniciais, como uma voz marcante na igreja, passando pelo seu primeiro contrato, até chegar ao estrelato.

Compartilhe da minha vida. Me aceite pelo que eu sou. Em grande parte desse belo e importante documentário, talvez o definitivo sobre Whitney, vilões são apresentados, um grande conjunto de pessoas que quando poderiam ajudar, acabaram levando a inesquecível cantora para uma ladeira rumo ao fundo do poço. A grande personagem do filme, uma protagonista de toda uma geração de fãs, era um ser fragilizado por tudo o que se tornou e como fora consumida por muitos que aproveitaram de sua fama e estavam muito por perto. Sem querer tender a nenhum dos argumentos apresentados, Macdonald vai atrás da família de Whitney e assim apresenta fatos e questões, através de depoimentos de muitos dos que ficavam ao seu redor.

Totalmente contrário à apollo 13, do triunfo ao desastre, no caso, vamos acompanhando passo a passo a decadência de uma voz por conta de seu vício pelas drogas, fator que desencadeia uma série de tristezas pelos anos que se seguiam totalmente fora de controle, culminando num esgotamento de relação mãe e filha. Em um dos momentos mais tristes, Whitney tenta dar a volta por cima mas realiza um show com plateia lotada de fãs onde sua voz simplesmente não existe mais, frustrando a todos que compraram ingresso, algo inimaginável para alguém que tinha tanto talento e presença de palco.

Não me faça fechar mais uma porta, não quero machucar mais. Fique em meus braços se você se atrever, ou devo imaginar você ali? Não vá para longe de mim, não tenho nada, nada, nada se eu não tiver você. Se eu ficasse, só te atrapalharia, então eu vou embora. Essas partes de duas das mais inesquecíveis canções imortalizadas na voz de Whitney, dizem muito sobre a vida dessa grande e frágil mulher que deixou saudades.

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