Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'I See You'




A solidão e os sentimentos. Eu sempre digo que curtas e médias metragens precisam ser rápidos no gatilho quando pensamos em atenção em prender o espectador. O curta-metragem japonês I See You, dirigido pelo trio de cineastas Ryo Sato, Ayana Tashiro e Masafumi Uemur, que utiliza técnicas de animação, acaba caindo nesse problema. Demora pra ganhar ritmo, com cortes muito secos, como se não conseguisse deixar o espectador processar o raciocínio sobre o que viu. Outro fator que incomoda é que há um uso não tão bem feito do conceito das cores para abordar o imaginável dentro da trama. Um fato positivo, é uma curta sequência onde vemos uma referência ao clássico Poltergeist.

Na trama, conhecemos uma faxineira que é enviada por um comprador até uma casa supostamente mal-assombrada para limpá-la já que a casa ficou um longo tempo sem ninguém morando nela. Mas logo nos primeiros dias, a protagonista percebe que há alguém de outro mundo por ali.


Um pontapé que fica óbvio ao assistir o filme é que a não é bem feita a construção da protagonista. Um oásis no meio do sonolento roteiro, onde há uma trilha sonora importante para a narrativa encontrada pelo trio de cineastas, é quando encontra a questão das memórias para entender o contexto, mas já é tarde demais, já perdeu a atenção de muitos espectadores. Fora que de assombração é mesmo somente a falta de criatividade, já que o projeto é muito mais um drama do que terror/suspense.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...