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Crítica do filme: 'JFK Revisitado: Através do Espelho'


Novas versões sobre um dos maiores mistérios em solo norte-americano. Exibido no Festival É Tudo Verdade 2022 e no Festival de Cannes em 2021, JFK Revisitado: Através do Espelho revisita um dos maiores dramas da história dos Estados Unidos, o assassinato do Presidente John F. Kennedy. Ao longo dos anos esse assassinato se tornou um grande mistério e objeto de investigação por diversas pessoas que simplesmente notaram alguma coisa de errado com fatos e questões apresentadas na época. Uma dessas pessoas, o cineasta Olive Stone, que por meio de uma complexa investigação percebe novos encaixes em um tabuleiro repleto de segredos sobre um dos mais misteriosos casos de assassinatos em solo norte-americano.


Stone, que no início da década de 90 dirigiu as mais de três horas do polêmico longa-metragem JFK - A Pergunta Que Não Quer Calar, volta ao tema e pega uma deixa dada como menção no final do filme onde mostra-se ao público que centenas de milhares de documentos que fizeram parte da coleta da investigação na época do ocorrido só poderiam ser reabertos em 2029. Com uma nova votação anos atrás, esses documentos agora estão abertos para consultas públicas. Assim, o famoso cineasta abre novas variáveis e teorias para buscar chegar a alguma conclusão mais razoável do que a história conta.


Há então um foco estabelecido entre as novas versões para alguns detalhes do dia do ocorrido e posteriormente pela Comissão Warren (um grupo de selecionadas pessoas que foram designados em novembro de 63 pelo presidente dos Estados Unidos Lyndon B. Johnson, que assumiu a presidência após o ocorrido, para investigar o assassinato do presidente Kennedy.). Assim vemos contradições em relação a trajetória da bala que atingiu Kennedy, pressões para que médicos que atenderam o ex-presidente no dia do atentado se mantenham em determinadas versões de fatos, fotos contraditórias da autópsia, a possibilidade de ter mais de um atirador, novas versões de testemunhas, entre outros detalhes.


Uma figura central de toda essa história, o ex-fuzileiro naval norte-americano Lee Harvey Oswald, o principal acusado de ter matado o presidente, também tem boa parte de sua história abafada contada. Principalmente seu passado talvez ligado à alguma das agências mais importantes dos Estados Unidos, além de todo o mistério de sua ida à URSS.


Mas quais eram os porquês de alguém querer Kennedy morto? O documentário também fortalece a tese de que politicamente o ex-presidente ia contra ao que alguns pensavam nas grandes agências norte-americanas, como a Cia. Um conflito entre esse órgão e a figura mais importante dos Estados Unidos é detalhada na questão da Baía dos Porcos e de uma informação contraditória sobre um possível golpe na França.


Com cerca de duas hora de duração, alguns podem achar que tudo que vemos aqui é uma grande Teoria da Conspiração, fruto talvez de uma obsessão pelo impactante ocorrido. Outros não. Houve acobertamento? Houve erros premeditados na investigação? Por meio de relatos no presente, documentos da época, entrevistas do passado Oliver Stone coloca o dedo em muitas feridas em um documentário impactante.



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