Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'A Primeira Morte de Joana'


As primeiras descobertas da vida. Sob o olhar delicado da juventude e todo o leque de variáveis que formam uma trajetória, o longa-metragem A Primeira Morte de Joana, vencedor de alguns prêmios nos mais de 35 festivais onde fora exibido, busca nos seus menos de 90 minutos refletir sobre vários temas que vão desde a descoberta da sexualidade até enormes questionamentos a partir do falecimento de uma parente, uma tia-avó artesã da qual era próxima. Dirigido por Cristiane Oliveira, a trama navega no pensar espontâneo, baseada na visão que a protagonista possui até ali do mundo que gira ao seu redor.


Na trama, conhecemos Joana (Letícia Kacperski), uma jovem, filha de pais separados, descendente de alemães que mora em uma casa na beira da estrada, numa pequena cidade, onde todos se conhecem. Após o falecimento da sua tia-avó, algo desperta nela, fazendo com que se coloque em enfrentamentos nos longos debates que tem com a sua família. Ao mesmo tempo, sua amiga Carolina (Isabela Bressane) se envolve em um boato que a faz refletir sobre sexualidade.


Ambientada no final do verão de 2007, no sul do país, em uma comunidade descendente de alemães. O projeto possui um ritmo lento, busca a atenção nos detalhes sob a ótica de uma adolescente que se vê renascer através de um novo olhar que a domina através de enfrentamentos que aparecem por seu caminho. Sua jornada começa com o entendimento do luto, onde curiosidades sobre tia-avó artesã da qual era próxima a faz conhecer melhor sua família e alguns pequenos segredos que se escondem num alicerce conservador que domina o tom dos moradores do lugar. Em um lugar de ventos constantes, logo se vê em confronto com o que pensam sobre a amiga Carolina, o que a faz renascer e amadurecer sobre o ainda prematuro conhecimento da sexualidade.


Esse interessante longa-metragem de Cristiane Oliveira, leva o espectador a uma caminhada enriquecedora, principalmente para aqueles que possuem um olhar atento para refletir sobre o amadurecimento e quem ainda consegue se emocionar com a simplicidade do afeto.



Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...