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Crítica do filme: 'Serpico' *Revisão*


Em uma de suas maiores atuações nas telonas, o astro do cinema Al Pacino protagonizou 50 anos atrás um impactante projeto que nos leva para um olhar sobre a corrupção em longa escala na polícia de Nova Iorque na década de 60/70. Dirigido pelo excelente cineasta norte-americano Sidney Lumet, Serpico joga a moralidade para a evidência, um escudo de um protagonista que enxerga no seu sonho de ser policial uma caótica realidade sem saída. Indicado para dois Oscars (Melhor Ator e Roteiro Adaptado), o projeto, baseado em fatos reais, traça um recorte social importante com fortes críticas sobre quem deveria prezar pelas boas ações e honestidade.


Na trama, conhecemos Frank Serpico (Al Pacino), um policial boa praça, honesto, correto, íntegro, presente na guerra da coreia, descendente de italianos, que desde seu início na polícia de Nova Iorque presenciou absurdos em ações de outros policiais. Com a força policial dominada pela corrupção em todos os níveis, sem perder seu lado da moral, com ele não existe posicionamento em cima do muro, se torturando pela sua causa, que abraça com poucos incentivadores, vê amores indo embora, e um rompimento abrupto com a felicidade de sua vida pessoal. Aos poucos, quase sempre realizando suas rotinas como policial à paisana, ele resolve encontrar soluções para denunciar tudo que enxerga em todas as delegacias que é designado, sendo um alvo fácil de corruptos.


Baseado no livro homônimo do jornalista Peter Maas, biógrafo do verdadeiro Serpico, a narrativa busca traçar com muita coerência a trajetória de um policial que ficou entre a cruz e a espada, sem saber em quem confiar, como se sentisse um peixe fora d’água lutando para não compactuar com a normalização do errado. A desconstrução do personagem acaba-o o tornando também um anti-herói pelos descontos em seus relacionamentos amorosos, machista, metido a garanhão, acaba rompendo linhas na vida pessoal, situação que afeta seu relacionamento mais duradouro jogando para escanteio qualquer felicidade a longo prazo. O medo e a infelicidade transbordam no olhar dos seus próximos.


A instituição policial, definida como principal arma de defesa de qualquer sociedade, aqui é colocada em xeque, com a normalização do errado, dos abusos, da ganância desenfreada. Como enfrentar o sistema sendo um dos poucos a lutar contra? Lumet consegue ir fundo no seu olhar crítico sobre o caos dessa instituição. O papel da imprensa chega forte no desfecho, uma ferramenta que se torna necessária para causar impacto e jogar ao mundo os absurdos de ações policiais principalmente o pagamento de propinas por toda a cidade.


Pra quem ainda não viu, ou gostaria de rever, o filme está disponível no ótimo catálogo da HBO Max.



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