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Crítica do filme: 'El Reino de Dios'


As interpretações para a fé. No segundo dia de programação do Cine BH 2023 um carismático longa-metragem deu o ar da graça nos levando, de maneira comovente, para um refletir sobre a perda e os obstáculos duros da vida real aos olhos de uma criança sonhadora que está prestes a realizar a primeira comunhão. Escrito e dirigido pela cineasta Claudia Sainte-Luce, esse projeto mexicano foi exibido em mais de 10 festivais internacionais, inclusive no prestigiado Festival de Berlim no ano passado.


Na trama, conhecemos Neimar (Diego Armando Lara Lagunes), um jovem menino carinhoso, curioso, que vive em uma cidadezinha no interior do México. Criado mais pela avó do que pela mãe, ele está prestes a completar a primeira comunhão. Só que nas horas que se seguem após esse momento importante para ele e sua família alguns eventos insistem em aparecer levando Neimar a ganhar lições para toda uma vida.


Muito ligado a avó, e com aparentes desentendimentos com a mãe, o protagonista é o carisma em pessoa. Se enxerga em um momento de muitas descobertas sem se esconder na imaturidade da idade. Logo cedo é apresentado e a ter que interpretar a fé, fruto de uma tradição familiar, que enxerga a igreja católica como um pilar, algo indiscutível para seus parentes que passaram por processos parecidos. Quando a representação do que seria o compromisso com Cristo é colocado em xeque com as séries de situações que logo se apresentam em sua frente, o jovem Neimar começa a trilhar o caminho da maturidade.


Esse longa-metragem mexicano de apenas 73 minutos parte do cotidiano limitado a sonhos e simplicidade para levantamentos de questões mais amplas que vão da fé ao luto. Aos poucos, ganham força os entendimentos sobre vida e a morte na visão de uma criança, dentro de uma narrativa que de maneira comovente e em muitos pontos bastante leve consegue conquistar o espectador.  



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