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Crítica do filme: '60 Segundos'


Amor de irmão, é amor de irmão. 23 anos atrás chegava aos cinemas, pouco antes da franquia Velozes e Furiosos, um longa-metragem pulsante que envolve carros exóticos, habilidosos criminosos unidos em uma missão quase impossível. 60 Segundos não esquece em nenhum momento que é um filme de ação mas sem deixar longas camadas dramáticas ficarem distantes. O eletrizante roteiro, escrito pela dupla H.B. Halicki e Scott Rosenberg, é contagiante, souberam contar muito bem essa história em uma narrativa dinâmica e envolvente, que nasce a partir de um conflito familiar, algo que frequenta toda a trajetória do protagonista interpretado pelo melhor ator de filmes de ação dos anos 90, Nicolas Cage.


Na trama, ambientada na Califórnia, conhecemos Memphis (Nicolas Cage) um ladrão aposentado, adorador de carros, que é chamado de volta à vida de crimes quando seu irmão Kip (Giovanni Ribisi) se mete em uma enrascada após um roubo mal sucedido. Precisando em poucos dias entregar 50 carros de luxo de uma lista de uma mafioso no porto de Long Beach, Memphis reunirá sua velha equipe, inclusive a ex-namorada Sway (Angelina Jolie), e juntos irão atrás desse arriscado objetivo com a polícia na cola deles. Entre os carros, está o xodó do protagonista, o raríssimo Shelby Mustang GT 500 do ano 1967, que ele carinhosamente chama de Eleonora.


O conflito do protagonista se justifica pela culpa, de não ter sido um bom exemplo para o irmão. Esse sentido de família também é ampliado quando entendemos a formação da equipe, velhos amigos, a antiga namorada, os velhos inimigos. Os embates emocionais levam o protagonista ao limite, antes não querendo mais essa vida cheia de adrenalina e ações inconsequentes acaba embarcando de volta a um destino que parece nunca ter esquecido.


Entre Jaguares, Ferraris, Cadillacs, Porches, o foco gira em torno de ações desenfreadas ligadas a toda potência de motores velozes, com roubos mirabolantes e espaço para as mentiradas que aqui fazemos vista grossa e carinhosamente chamaremos de licença poética (rsrs). A direção de Dominic Sena traduz em imagens toda a força do roteiro, além de acoplar uma trilha sonora marcante que dita o ritmo em muitos momentos.  


O elenco é excelente, além e Cage, Angelina Jolie, Giovanni Ribisi, Will Patton, Delroy Lindo, Robert Duvall, além de curtas aparições de Michael B. Jordan e Michael Peña. Outro artista do elenco, Timothy Olyphant, tem uma curiosidade que poucos sabem. Ele foi a primeira escolha para interpretar anos depois Dominic Toretto, personagem principal de Velozes e Furiosos mas declinou do papel por achar 60 Segundos muito parecido com a franquia que ficou eternizada com Vin Diesel como protagonista. Será que Timothy se arrependeu? Essa é uma boa pergunta!


Pra quem quiser ver, ou rever, 60 Segundos está disponível na Star Plus.



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