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Crítica do filme: 'Inteligência Humana'


Quem não curte um bom filme de espionagem, não é mesmo? Aquele jogo imprevisível e estratégico de gato e rato, onde a moral e a ética se tornam apenas alguns dos elementos centrais. Para nos levar de volta a esse tema, chegou à Netflix nesse início de abril Inteligência Humana, uma produção sul-coreana que aborda a corrupção e o tráfico humano em uma produção pra lá de eletrizante.

Jo (Zo In-sung) é um oficial de alta patente da inteligência sul-coreana que vai para Vladivostok investigar algumas pessoas suspeitas de tráfico humano envolvendo integrantes da força policial norte-coreano e a máfia russa. Logo, seu caminho de cruza com Chae Seon-hwa (Shin Sae-Kyeong), que vira sua informante. Mas, quando descobrem esse fato, surge na trama Park Geon (Park Jeong-min), um oficial norte-coreano que teve uma relação próxima de Chae Seon-hwa no passado.

Escrito e dirigido por Ryoo Seung-wan, um cineasta sul-coreano com três décadas de experiência e que, ao lado de Park Chan-wook e outros artistas, fez parte da ‘onda coreana’, conhecida como Hallyu - a expansão de vários setores culturais sul-coreanos com foco internacional, incluindo o cinema -, o filme caminha por um certo desequilíbrio emocional de seus protagonistas, chegando em um desenvolvimento dinâmico, com ótimo ritmo, que, mesmo com alguns deslizes narrativos por conveniências, prende a atenção por conta da imprevisibilidade que logo se apresenta.

Com uma trama muito bem amarrada e um ótimo contexto que corre pelas entrelinhas, a obra nos leva até um jogo geopolítico que envolve países com problemáticas desde a guerra da coreia, no início dos anos 1950 - dois lados completamente diferentes em quase todos os aspectos, a começar pelo regime de governo: um democrático (sul), o outro autoritário (norte). Em terras geladas russas, a espionagem e a contraespionagem ganham contornos explosivos ao longo das quase duas horas de projeção.

Para você que está acostumado a assistir aos filmes de espionagem hollywoodianos, essa produção oriental não perde em nada para muitos deles. Impressiona como o roteiro consegue trabalhar os conflitos morais que surgem de forma minuciosa, nos levando até dilemas que atravessam o lado emocional dos personagens. Da corrupção aos horrores do tráfico humano, passando pelas drogas, as traições e a máfia russa, vemos personagens de lados opostos, mas com um ponto em comum os interligando, caminhando por uma ambiguidade ambivalente sugerida.

 

 

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