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Crítica do filme: 'Utopia'


A melhor lei é a lei humana, ter a chance de existir. Indicado do Afeganistão ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano de 2015, Utopia, dirigido pelo cineasta iraniano Hassan Nazer é uma jornada em torno dos dilemas da crença, dos absurdos limites ultrapassados da ética, um longa-metragem com fortes mensagens que nos mostra três destinos que acabam sendo interligados por uma situação. O roteiro possui esses três paralelos, em três lugares diferentes, de maneira que somente no final do filme entendemos sobre quais pontos futuros e de quais personagens as imagens no início mostram.


No Afeganistão, após o marido ficar durante anos em estado vegetativo após ser ferido em um conflito, Janan (Martine Malalai Zikria) embarca em uma jornada para ser mãe utilizando a técnica de inseminação artificial. Para isso, ela resolve ir até o Reino Unido para iniciar o procedimento em uma clínica que lhe fora indicada. Chegando lá seu destino se cruza com William (Andrew Shaver) um estudante de sociologia médica, egocêntrico, que trabalha nessa clínica. Esse último faz uma troca do sêmen que iria ser doado por um doador anônimo pelo dele. Paralelo a essa história, conhecemos um ex-professor alcoólatra que é preso por uma briga de bar e terá seu destino convergindo com Janan em um momento muito delicado dela.


Os paralelos buscam o presente de algumas pessoas afim de apresentar os personagens por meio de seus conflitos. Para Janan há um conflito interno sobre o desejo em ser mãe e a maneira como os outros ao seu redor vão reagir à situação por conta da situação do marido. Isso nos leva a refletir sobre a situação no país onde mora, extremamente conservador. Ela durante muito tempo lutou para ser independente em uma vida marcada pelas perdas que teve ao seu redor.  O lado de William é um pensar cheio de egocentrismo, até mesmo egoísta, ultrapassando limites éticos (como é bem mostrado no filme no papo com o diretor da clínica). Está em um momento conturbado, próximo do fim no seu relacionamento com a namorada. Seu pai era militar do exército britânico e morreu em serviço no Afeganistão. Parece viver em uma bolha onde se julga com direitos de como se os outros fossem marionetes transformar o destino deles.  


A utopia do título chega quando na imaginação de alguns onde um mundo onde raça, cultura e religião não seria mais um problema. Mas como chegar a isso? Algum ser humano tem o poder sobre todas as coisas e sobre todos os destinos? Essa co-produção Inglaterra e Afeganistão nos faz refletir sobre dilemas existenciais que se diferem entre crenças.  



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