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Crítica do filme: 'A Mão que Balança o Berço'


A terceirização da culpa. Trazendo para debate a psicopatia ligada à uma sede de vingança obsessiva, mais de três décadas atrás chegava aos cinemas um filme com um título bastante chamativo que consegue apresentar várias camadas na sua narrativa nos levando para dentro de um suspense eletrizante que emplaca suas estruturas em torno da maternidade. Dirigido pelo cineasta nova iorquino Curtis Hanson, com roteiro assinado por Amanda Silver, o filme marcou a geração que viveu intensamente os anos 90.

Na trama, conhecemos o casal Claire (Annabella Sciorra) e Michael (Matt McCoy), ela uma dona de casa, ele um engenheiro genético. A dupla percorre seus dias felizes e com a recente chegada do novo filho resolvem ir procurar uma babá para ajudá-los, assim encontram Peyton (Rebecca De Mornay). Só que a nova babá não é quem diz ser e aos poucos emplaca um plano de vingança. O título do filme veio inspirado em uma frase escrita pelo poeta William Ross Wallace que relaciona a maternidade com as mudanças no mundo.

A narrativa percorre seu percurso na visão das antagonistas que possuem como ponto de interseção a maternidade. De um lado uma mulher feliz, com uma família estruturada que no início da segunda gestação sofre um forte trauma, um abuso médico durante uma consulta. Esse fato acaba sendo o motivo de seu destino cruzar com o de Peyton, essa última uma mulher que apresenta uma psicopatia doentia, em atos com requintes de crueldade, que terceiriza a culpa de suas tragédias no colo de Claire. Esse ping pong em relação ao ponto de vista é cirúrgico transformando um forte drama em um suspense eletrizante.

Indo mais a fundo nesse recorte sobre a vingança, o filme abre debates sobre a construção invisível do trauma e as formas como os abalos psicológicos podem influenciar todo o futuro de uma pessoa. Um prato cheio para quem curte psicológica. Pra quem quiser conferir esse ótimo filme tem na Star Plus!


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