Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Gosto de Sangue'


Até o limite das inconsequências. Escrito e dirigido pelos irmãos Joel Coen e Ethan Coen, em meados da década de 80 chegava aos cinemas um filme que mostra relações repletas de tensão onde mal entendidos viram desconfianças trazendo a violência e várias de suas formas permeando as trajetórias de personagens que se desprendem da felicidade de forma constante. Gosto de Sangue é um retrato sobre a psicopatia, o desprezo pelo outro, em uma narrativa submersa a detalhar cada canto de conflitos que estão em iminente rota de colisão. O filme marca a estreia nas telonas da três vezes vencedora do Oscar de Melhor Atriz Frances McDormand.

Na trama, conhecemos Marty (Dan Hedaya), o dono de um bar no Texas que descobre a traição da esposa Abby (Frances McDormand) com Ray (John Getz), um funcionário do estabelecimento. Tomado pelo ódio, contrata um detetive inescrupuloso (M. Emmet Walsh) para matar a mulher e o amante. Só que uma série de situações começam a acontecer, com errôneas verdades impostas por achismos.

As reflexões sobre o lado psicológico dos personagens é uma ferramenta importante dessa engrenagem. Tudo é muito bem construído. A crueldade de alguns desses, está associada à uma ingenuidade, outros ao desprezo pelos valores morais. O limite emocional é o ponto de chegada onde limites são cruzados e o caos dos conflitos internos reina sobre as ações. A traição, a vingança são as consequências.

Uma mulher em busca da felicidade com um novo amor, um marido possessivo, um amante que se coloca em uma posição de incertezas, um detetive condenável. Mexendo esses elementos em uma trama que envolve o acaso como ponto intercessor, os irmãos Coen, com certo brilhantismo e uma direção primorosa, conseguem navegar em gêneros cinematográficos, de filme policial aos poucos vai se tornando um sufocante suspense que caminha de forma imprevisível para um desfecho marcante.


Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...