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Crítica do filme: 'Caminhos Cruzados'


Momentos que fazem sentido no viver. Colocando na mesma balança o acaso e o destino, o longa-metragem europeu Caminhos Cruzados apresenta através de uma forte protagonista um novo olhar para o mundo e as renovações de felicidade que a vida pode nos trazer quando menos esperamos. Escrito e dirigido pelo cineasta sueco Levan Akin, o projeto parte do sofrimento de uma busca, por onde segue todo o discurso, sem deixar de preencher outros tantos.

Na trama, conhecemos Lia (Mzia Arabuli), uma professora de história aposentada moradora da cidade de Batumi, localizada no Mar Negro, na Geórgia, que está em busca da sobrinha, sua única família. Ela acaba se juntando a Achi (Lucas Kankava) um jovem perdido com o que fazer com sua vida, que sabe seu paradeiro. Assim, ambos atravessam a fronteira do sudeste do país, com a Turquia, que na visão de alguns é uma terra de oportunidades. Chegando lá, terão muitas descobertas.

Nessa belíssima viagem pelos contrastes nas formas de viver e até mesmo entender as próprias trajetórias, partimos de uma realidade local – e muito distante de nós – um lugar onde a esperança está pelas suas fronteiras. Nesse ponto, - já com nossa atenção voltada pra tela - somos convidados a conhecer histórias através de dois personagens com faixa etárias diferentes, visões de mundo infinitamente não semelhantes, que precisam unir forças por um objetivo. A narrativa brilhantemente então nos guia, até o nascimento de uma amizade improvável, onde o sentido de família e suas interpretações ganham fôlego.

O amplo contexto social e cultural que o filme propõe se torna um dos grandes méritos, muitos desenrolares se aprofundam tendo essa referência. A partir do já mencionado sofrimento de uma partida, a protagonista se choca com um novo olhar para o que esteve sempre por ali, por perto. Mas essa mudança não se restringe só a ela, para Achi também. Belíssimos diálogos e cenas marcantes validam toda essa transformação dos dois personagens.

Caminhos Cruzados, esse poderoso retrato cultural, movido à choques de vivências, onde a inconsequência reina por um instante, carrega o público para um tour de emoções escondidas, pelo iminente compreender, pelas verdades que se mostram presentes quando as possibilidades de felicidade surpreendem trajetórias.  


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