Um artista beira ao genial quando é único – e, quando passa o tempo, sempre está em movimento. Do interior de Pernambuco até alcançar muitos corações que pulsam quando o assunto é cultura popular, Alceu Valença, hoje com 79 anos, tem mais uma obra cinematográfica que revisita parte de sua história e chega em breve aos cinemas.
Selecionado para o principal evento dedicado ao documentário
em nosso país, o Festival É Tudo Verdade, Vivo
76 nos leva para uma viagem fascinante pela vida e carreira desse artista
empolgante - da sua infância até um dos álbuns que mais marcaram sua extensa
carreira, Vivo! (lançado em 1976).
Dirigido por Lírio
Ferreira, o documentário constrói sua narrativa com uma série de materiais
de arquivos – fotos, vídeos, entrevistas - e de depoimentos do próprio Alceu na
atualidade, criando um antes e depois envolvente. Assim, vamos vendo ser
conectados partes de sua fascinante história, que se associa a momentos
emblemáticos de um Brasil em constante mudança.
Caminhando por suas influências, seu amor pelo mundo
circense e pelas histórias de sua família, respirando por diversas culturas de
alguns lugares de nosso país, vamos vendo ser montado um mosaico psicodélico
que cria uma experiência sensorial marcante, indo de encontro a personalidade
de seu homenageado.
Em meio a essa imersão ao universo valenciano, vemos a
importância em sua vida das artes visuais, também os sons de outros gêneros. A
obra mostra os duros momentos durante a ditadura, seu contato marcante com a
telona, além de suas passagens pelo Rio de Janeiro, que culminaram em um divisor
de águas em sua carreira. Nesse ponto, acompanhamos as primeiras apresentações
marcantes, como a no Festival internacional da canção, ao lado de Geraldo Azevedo e Jackson do Pandeiro, que grudaram olhares que são vistos até hoje
reverenciando o artista pernambucano.
Vivo 76 preenche
a tela com alegria e emoção, promovendo um desbravar criativo da linguagem,
conseguindo transmitir muitas gotas dos sentimentos mais profundos que formaram
a trajetória de um artista único de nosso país - que seguimos até hoje
escutamos teus sinais.
