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Crítica do filme: 'A Fabulosa Máquina do Tempo' [Festival É Tudo Verdade 2026]


Trazendo o sonhar acoplado ao infinito de possibilidades que a linguagem cinematográfica oferece, o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo é um projeto inventivo em que o lúdico e o concreto do real se chocam, revelando histórias através do olhar de jovens de uma cidade do interior do Brasil.

Dirigido por Eliza Capai, o longa-metragem teve sua première mundial no Festival de Berlim deste ano e, aqui no Brasil, ganhou suas primeiras exibições no principal evento dedicado a documentários, o Festival É Tudo Verdade.

Nesta obra, onde a fantasia encontra a realidade, somos convidados a conhecer o entendimento do mundo pelo olhar de algumas crianças e adolescentes da cidade de Guaribas, no Piauí. A religião, os medos, as brincadeiras e os momentos difíceis se tornam elementos de reflexão sobre questões sociais que se expandem para um reflexo bem mais amplo do que apenas das experiências que passaram as personagens desse local.

A dinâmica se mostra interessante desde seu início: retrata os sonhos e as memórias de um passado recente de forma divertida, mas que, pelas entrelinhas, dizem muito mais do que se imagina. Essa brincadeira, que expõe muitas questões sobre o eu atual e o que projetamos para o futuro, vai de encontro à filosofia da existência, batendo na tecla de que nunca estamos completamente prontos para o que vem - estamos em constante construção, em curso e onde nada é definitivo.

A importância do sonhar logo vira uma espécie de poesia do viver, com perguntas existenciais circulando a narrativa de forma direta, nos levando de maneira criativa até a metalinguagem e uma série de depoimentos – em sua maioria descontraídos – que, aos poucos, vão se tornando marcantes e deixam pelo caminho importantes reflexões.

Quem eu sou e quem eu quero ser. A partir dessa expressão, que dialoga com a construção da identidade - algo que, em um primeiro momento, parece um quebra-cabeça difícil de montar -, aqui se torna simples, objetivo e muito criativo, nos conduzindo pelos nossos próprios pensamentos, transformando A Fabulosa Máquina do Tempo em uma experiência profunda e inesquecível. Um filme que dificilmente esqueceremos.

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