Pular para o conteúdo principal

Qual seu Número? - Cinema com Raphael Camacho

Para esse tipo de livro virar um filme bom, uma protagonista talentosa é sempre o mais indicado. Pena, que talento em Qual seu Número? você não encontra. O novo trabalho de Mark Mylod (que dirigiu muitos episódios de vários seriados americanos) arranca uma ou outra risada, mas é muito inconsistente como um todo.

Anna Faris faz a personagem Ally Darling e enche-a de caras e bocas. A melhor atuação de Faris é no longa Encontros e Desencontros, desde essa produção sua carreira estacionou no talento. Chris Evans (que fez recentemente o longa Capitão América), como todo ator limitado, encaixa bem nesse tipo de papel.

A produção apela para nudez em algumas cenas, totalmente desnecessárias em todos os casos. Acredito que o nu artístico é um recurso que pode ser utilizado dentro do cinema, porém, com contexto e fundamento dentro da história.

A subidinha da protagonista na bancada de um bar, com drinks e mais drinks, lembra muito certas cenas de Coyote Ugly.

Como virou moda em Hollywood recentemente, muitas menções às redes sociais são vistas no decorrer da trama.

Um dos poucos momentos, realmente engraçado do longa, ocorre quando a protagonista imita  o sotaque do Borat(personagem famoso do londrino Sacha Baron Cohen, em filme homólogo). A fita fica mais engraçada quando utiliza o recurso de flashbacks das relações passadas da confusa protagonista.

Fazendo uma analogia ao futebol, essa fita estava na zona de rebaixamento, até que alguns razoáveis minutos do meio para frente, tiraram o mesmo da zona da degola. Chegou perto de ser cravado como o pior longa do ano.

Se perguntassem: qual o número desse filme? A resposta com certeza reprovaria a produção.



Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...