Pular para o conteúdo principal

O Garoto de Bicicleta - Cinema com Raphael Camacho

Um garoto e sua bicicleta numa comovente busca pelo paradeiro de seu pai. Já viram alguma história parecida? Não se preocupem, os irmãos Dardenne conseguem ser muito originais na composição dos personagens e conseguem fazer um trabalho muito bom na frente das câmeras dessa fita selecionada para o Festival de Cannes do ano vigente.

A trama segue os passos do jovem Cyril Catoul (muito bem interpretado pelo jovem ator Thomas Doret), um pequeno rapaz que vive em um orfanato e usa sua bicicleta para se locomover pela cidade. Abandonado precocemente pelo seu pai (após a morte de sua avó), não consegue desistir da idéia de que o mesmo não o abandonou. Assim, parte numa tentativa de descoberta, comovente e intensa, do paradeiro dele. O deslumbre pela figura paterna, fica evidente desde o primeiro minuto do longa. O menino tenta se ligar ao pai de todas as maneiras mesmo não tendo todo esse amor correspondido. Aos poucos, com a entrada de outros personagens, vemos essa esperança do protagonista desaparecer.

Os ótimos diretores (Jean-Pierre e Luc Dardenne), e que também assinam o roteiro, trabalham muito bem essa relação de substituição da figura paterna. A partir de duas vertentes vemos como certas escolhas podem levar a melhor escolha ou a pior.

Cecille de France é Samantha, uma espécie de figura materna (alguém que o jovem passa a confiar), que entra na vida do jovem Cyril após um encontro, no mínimo inusitado, dentro do consultório de um ortopedista. Cabeleireira de profissão, a bela loira se sente comovida pela situação de abandono do rebelde garoto. Após muita revolta e situações extremas após conhecer essa mulher, o protagonista começa a soltar os poucos sorrisos que vemos ao longa da fita. Porém, quando o menino faz uma amizade bastante suspeita geram-se conseqüências que vão guiando a um desfecho comovente e que transmite uma mensagem.

Uma película curta, cerca de 80 minutos compõe a história, que emociona e faz o público ficar com os olhos abertos torcendo para um final no mínimo satisfatório, que acontece.

Recomendado!

Raphael Camacho - Infoco News

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...