Pular para o conteúdo principal

Pronto para Recomeçar - Cinema com Raphael Camacho

Tinha tudo para ser um bom filme de drama. Will Farrell mostrou competência em ‘Mais estranho que a ficção’ e a esperança cinéfila surge a partir disso. Porém, assim que começa o novo longa do estreante diretor Dan Rush, vemos que fitas muito monótonas acabam sendo um grande sonífero se você não conseguir se conectar com a história.

Na trama, um homem fica desempregado, ao mesmo tempo, é abandonado pela mulher por conta de seu alcoolismo sem fim. No fundo do poço, ele passa a viver alguns dias no jardim de onde morava, por conta de suas coisas estarem jogadas por lá e ele não poder entrar em sua residência. Nesse momento, resolve promover uma espécie de bazar, colocando à venda tudo o que tem. 

A idéia não é ruim, não é mal executada, nem mal dirigida. Mas alguma coisa não encaixa. Acredito muito que o caminho dessa explicação passa muito da maneira lenta que a trama é apresentada. A câmera sonolenta de Rush é uma idéia que às vezes dá certo, às vezes dá errado dentro filme. A amizade criada dentro da trama pelos personagens não passa muita verdade e ao mesmo tempo que se aproximam, continuam bem afastados. Esse ioiô emocional que o personagem principal passa é fórmula batida em muitas produções do gênero.

Alguns diálogos são bem elaborados e o entrosamento nesses momentos é notório. Rebecca Hall é a melhor do elenco. Consegue ler bem sua personagem, bastante complexa por sinal e tem boas cenas com Nick Halsey, personagem de Farrell.

Não criem muito expectativa e talvez não achem o filme ruim. 


Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...