Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Caça aos Gângsters'


O que fazer para derrubar o crime organizado que conta com a ajuda da corrupção para se manter acima de qualquer suspeita? Baseado no livro de Paul Lieberman, Caça aos Gângsters, o novo trabalho do diretor Ruben Fleischer (Zumbilândia) tem o propósito de entreter os amantes dos filmes de ação de décadas passadas. O ritmo é alucinante, um clima de ação e mutilações é instaurado. Cenas intensas e fortes recheiam o início do longa que conta com personagens peculiares (em trejeitos inusitados) na tentativa de um diferencial que muitas vezes parecem forçados. Alguns detalhes são observados pela lentes do diretor: um vilão pavio curto e suas excentricidades, efeitos no isqueiro de um dos personagens.  Às vezes parecem que dizem pouco mas ajudam a compor o que vemos no decorrer da história.

Na trama, passada numa Los Angeles sombria, no ano de 1949, uma equipe secreta de policiais liderados por um detetive que voltou da guerra para uma cidade deixada à margem do caos de crimes e delitos provocados por um homem que subiu na hierarquia da máfia pela força. Assim, o esquadrão antigângsters trabalharão juntos para derrubar o cruel Mickey Cohen que governa a cidade.
O filme melhora quando começa a seleção do futuro esquadrão. Um clima nostálgico e de glamour é embutido nas sequências dando um ritmo exótico à história. Uma espécie de Os Intocáveis dentro de uma romance noir. Algumas partes dramáticas são bem executadas, compondo os porquês e as causas pessoais de cada um dos justiceiros da lei. Destaque para a interpretação da excelente Mireille Enos (do seriado The Killing) que interpreta a mulher grávida do protagonista. O filme cresce com ela em cena.

As atuações não são destacadas mas também não comprometem. Josh Brolin interpreta um policial que volta da guerra e adora uma boa briga. Praticamente um treinamento de luxo para fazer o papel principal no remake americano do clássico filme oriental Oldboy. Ryan Gosling da vida ao Sgt. Jerry Wooters. É o tipo de personagem que não precisaria existir na trama mas o talento do artista canadense consegue sobrepor a um personagem mal escrito e o seu papel de coadjuvante muitas vezes passa a ser de protagonista.  O filme tem um destaque negativo: uma das mais apagadas interpretações de Sean Penn.

Com direito a Tica,Tica,Bum de Carmem Miranda, mafioso que adora sundae com calda de chocolate e uma equipe de especialistas em crime organizado, Caça aos Gângsters chega aos nosso cinemas na próxima sexta e promete levar os cinéfilos que adoram filmes de ação para o duelo entre as balas da uma arma contra as palavras da uma boca.


Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...