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Crítica do filme: 'A Alma da Gente'

Com um lançamento modesto para os altos padrões que produções brasileiras se solidificaram recentemente, o filme de arte A Alma da Gente é uma aula de como fazer de uma simples ideia, um filme emocionante que leva facilmente qualquer coração às lágrimas. Dirigido pela carioca Helena Solberg e pelo norte-americano David Meyer, o documentário mostra diferentes destinos de pessoas marcadas pela transformação através da arte.

No longa metragem, acompanhamos a história emocionante de 60 adolescentes do Corpo de Dança da Maré, grupo coordenado pelo coreógrafo e educador Ivaldo Bertazzo. Dez anos depois dos ensaios de um espetáculo de dança com o elenco formado por esses jovens moradores da favela da Maré, os diretores buscam esses participantes para descobrir os surpreendentes destinos de cada um dos personagens.

O amor pelas artes é uma conquista que cada um dos jovens envolvidos no projeto adquire. Suas trajetórias de vidas são modificadas pela disciplina que é exigida.  A princípio, a oportunidade dada é um universo novo e as descobertas se renovam a cada novo ensaio. As lentes dos diretores conseguem com grande perfeição captar cada detalhe que expresse esse sentimento de mudança que vai criando em cada personagem conforme eles aparecem em cena.

Produzido em dois tempos, com um intervalo de dez anos, o longa-metragem tem início em 2002, quando os realizadores filmaram o dia-a-dia dos ensaios desses adolescentes. Uma árdua tarefa de planejamento e perseverança dos produtores e diretores do projeto. Criar uma história a longo prazo é uma das tarefas mais difíceis do cinema. A parte de pesquisa e os detalhamentos que o filme possui são fundamentais para o êxito da obra.

As surpresas que acompanham cada personagem surpreendem o público. Histórias de felicidades e tristezas se encontram, transformando o documentário em um presente que é aberto pelo público a cada novo depoimento. O espectador se diverte, chora e pensa sobre a importância do ajudar ao próximo. Emoções à flor da pele a todo instante. No desfecho, a reflexão sobre o que se viu na telona é eminente.


O belíssimo trabalho se torna mais um ótimo documentário produzido neste ano de 2013. A Alma da Gente estreou nesta sexta-feira em pouquíssimas salas em todo o Brasil. Se o filme estiver passando em sua cidade, não perca tempo, reserve um tempo na sua agenda e vá conferir as emoções da expressão perpendicular de um desejo horizontal. Bravo!

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