Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Fading Gigolo'



Escrito e dirigido pelo norte-americano John Turturro (excelente ator, diga-se de passagem)  Fading Gigolo arrancará dos cinéfilos risadas gostosas mesmo que a história só seja mesmo interessante por conta da atuação genial de Woody Allen - que volta a atuar como ator em um filme que ele não dirige desde Juntando aos Pedaços, um filme pouco falado no longíquo ano  2000). O longa-metragem de modesto orçamento conta também com as presenças das sensuais Sofia Vergara e da veterana Sharon Stone.

Na comédia, conhecemos o tímido e acanhado Fioravante (John Torturro), um homem de classe média que decide se tornar um profissional do sexo, um Don Juan do bairro onde mora, como uma forma de ganhar bastante grana e assim ajudar o seu amigo sem dinheiro, Murray (Wody Allen). Com esse último agindo como uma espécie de cafetão, a dupla se joga em um universo de amor, sexo, piadas, dinheiro e prostituição.

O roteiro é um ponto a se analisar negativamente. Conforme as sequências vão passando mais o público percebe que Torturro nada mais fez do que imitar a formula de Woody Allen com histórias interligadas e com personagens fugindo do senso e das verdades comuns. Falta gás nas subtramas e os coadjuvantes acabam ficando se desfechos convincentes resumindo algumas histórias a muita informação e pouco desenvolvimento.

O filme corria o risco de não atrair a atenção do público se não tivesse Woody Allen no elenco. Esse genial artista que ama Nova Iorque realmente é um ponto diferencial já que o roteiro é trivial e fraco tendo somente as forças de um personagem para a história se tornar sustentável. O espectador se delicia com as ótimas tiradas do judeu Murray, Allen transpira carisma na frente das câmeras. Genial atuação desse ganhador do oscar de 77 anos.

Sharon Stone também merece o crédito por ótimos diálogos com o protagonista, arrancando gargalhadas do espectador e mostrando sua sensualidade infinita. Sofia Vergara – que faz muito sucesso no seriado Modern Family – tenta mas ainda é uma fruta não madura como atriz. Ao longo de 98 minutos, rimos em grande parte com um dos pelés das telonas, por isso, vale muito a pena conferir esse trabalho. Somente por isso.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...