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Crítica do filme: 'O Mar ao Amanhecer'


Baseado em uma emocionante carta de despedida do jovem Guy Môquet, O Mar ao Amanhecer é mais uma das dezenas produções anuais sobre a Segunda Guerra Mundial. Dirigido pelo cineasta alemão Volker Schlöndorff , que dirigiu John Malkovich (Red 2: Aposentados e ainda mais perigosos) e Dustin Hoffman (O Concerto) no emocionante filme da década de 70, Morte do Caixeiro Viajante, o longa-metragem é uma sonolenta viagem ao terror que os nazistas colocaram na França tempos atrás. A falta de foco em algum dos personagens pode ser a chave do insucesso da fita.

Na trama, voltamos ao dia 21 de outubro de 1941,  na França, onde três integrantes do batalhão da juventude do Partido Comunista atiraram em um tenente-coronel nazista de alta patente no centro de Paris. Como retaliação, Hitler ordena a execução de 150 franceses, que eram mantidos prisioneiros. Entre os condenados está o jovem Guy Môquet (Léo-Paul Salmain), que escreveu uma carta de despedida tão impactante que passou a ser estudada nas escolas francesas.

A contextualização da história, baseada em fatos reais, como roteiro de cinema, peca por não criar um enredo onde um protagonista se sobressaia em relação aos outros personagens. O público se sente perdido quando a história começa a dar voltas e não ir a lugar nenhum.  Geralmente, quando isso ocorre, os olhos do público buscam uma referência, que nesse caso não existe. O próprio personagem já citado, Guy Môquet, poderia ser bem mais bem explorado dentro do filme.

 A eminência da execução dos listados constrói uma desnecessária acomodação da direção e das características dos personagens. Muitos detalhes não são captados pelas lentes do diretor, entre eles: um pouco da história de cada personagem, o desespero que certamente essas pessoas viveram, as burocratizações do embaralhado político que a França se submeteu na Segunda Guerra Mundial, entre outros.

Mesmo com a presença do excelente ator Jean-Pierre Darroussin (As Neves de Kilimanjaro), O Mar ao Amanhecer é um filme frio que em nenhum momento tem a coragem de se arriscar e realmente ir a fundo nos acontecimentos desta triste história europeia. Com tantos filmes bons em cartaz, fica difícil alguém parar noventa minutos e assistir esse.


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