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Crítica do filme: 'O Amor é Estranho'

Aceitar um momento difícil é o começo para superá-lo. Após emocionar os cinéfilos com o maravilhoso Deixe a Luz Acesa (2012), o diretor norte-americano Ira Sachs volta a falar sobre relacionamentos conturbados, na sensível e muito honesta fita O Amor é Estranho. Com uma dupla de protagonista pra lá de competentes e uma Marisa Tomei inspirada, como coadjuvante, o filme vai se moldando nos belos diálogos e difíceis decisões que os personagens principais vão enfrentando ao longo dos singelos 94 minutos de projeção.

Na trama, assinada pelo próprio diretor e Mauricio Zacharias, acompanhamos o casal Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina) que após décadas juntos, decidem oficializar sua união, fato que gera muitos problemas no trabalho de George e assim ambos acabam entrando em uma crise financeira. Após terem que vender a casa onde sempre moraram, contam com a ajuda de familiares, vizinhos e amigos para voltarem a ficar juntos.

Pedras no caminho? Obstáculos da vida? Preconceito de uma hipócrita igreja nos tempos atuais? O filme aborda muitas situações que vão dos problemas familiares até as dificuldades sociais por conta de preconceito. Porque o amor de Ben e George não foi aceito pela escola religiosa onde George lecionava a anos? As dificuldades dos protagonistas partem desse ponto, quando ficam sem dinheiro, e assim precisam, forçadamente, conhecer a fundo os problemas dos amigos que os ajudam, piorando ainda mais a dor e virando um cotidiano constrangedor. Os mais profundos diálogos do filme, acontecem entre Ben e a personagem de Marisa Tomei, há tanta profundidade e emoção que se torna uma grande aula de cinema a todos os artistas que estão começando nessa profissão.

Ira Sachs consegue com muita delicadeza abordar todos esses assuntos polêmicos. O espectador se sente amigo dos personagens, tamanha força e determinação que a relação dos protagonistas possuem. A arte do percorrer caminhos já vistos é extremamente complicada para qualquer ser humano, somos testemunhas do medo e quase desespero que paira sobre os personagens a cada novo dia lutando para voltarem a ficar juntos. Recomeçar é mais difícil que começar, pois requer a coragem do início e a superação do fracasso.


O Amor é Estranho estreia em breve aqui no Brasil após fazer um grande sucesso em alguns festivais pelo mundo, inclusive na última edição do Festival do Rio de cinema. Não deixem de conferir esse belo trabalho que deve mexer demais com seu coração. 

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