Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'The Loft'



Quem cedo e bem aprende, tarde ou nunca esquece. Quem negligencia as manifestações de amizade, acaba por perder esse sentimento. Estimado em 14 milhões de dólares, grande parte desses talvez para pagar alguns rostos conhecidos que estão no elenco, chegou aos cinemas norte-americanos esse ano o interessante filme The Loft. Sem nenhuma expectativa de aterrissar nas telonas brasileiras, o filme conta de forma equilibrada um mistério daqueles que só sabemos quem é o culpado no final. Mesmo com alguns exageros e os famosos clichês dos filmes do gênero, The Loft apresenta personagens interessantes que fazem de tudo para contribuir com o clima de suspense que a história pede. 

Uma mulher loira é morta e algemada em uma cama, encontra assim em um loft luxuoso no meio de uma grande cidade para nutrir os desejos de 5 amigos para suas compulsivas e obsessivas traições. Ao longo da trama, vamos conhecendo melhor a vida de todos os envolvidos, seus segredos, suas mentiras e seus impulsos. O filme utiliza o flashback para mostrar dinamismo e fazer com que o público tente resolver o quebra-cabeça que é montado aos poucos nesse inventado tabuleiro cinematográfico.

O roteiro, assinado pela dupla Bart De Pauw e Wesley Strick, é bem amarrado e deve agradar a todos os entusiastas e amantes dos filmes de suspense. A composição de cada personagem merece destaque, são protagonistas bem diferentes entre si e possuem uma ótima química em cena, nos convencem. Sentimos em um grande jogo de RPG onde precisamos escolher nossos personagens e defender sua absolvição a cada novo movimento ou virada de mesa que acontece na história.

Se envolvendo com todo tipo de personalidade feminina que cruzam seus caminhos, os amigos vão se expondo cada dia mais, tornando suas vidas cada vez mais sem limites. Nesse momento, há um certo exagero da história, até mesmo forçando algumas cenas mas de maneira geral o roteiro é um dos méritos do filme, não há dúvidas. A direção do belga Erik Van Looy, em sua primeira expedição no cinema norte-americano, é bem regular e tenta a todo instante jogar o público para dentro dessa trama cheia de surpresas.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...