Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'X + Y – A Brilliant Young Mind'

Em seu primeiro longa-metragem feito para cinema, o cineasta Morgan Matthews percorre as dificuldades e o dia a dia de uma família que enfrenta um grande desafio atrás do outro. X + Y – A Brilliant Young Mind é uma produção britânica bastante interessante que fala sobre uma mãe que busca a melhor maneira de se comunicar com o filho, um menino autista que adora matemática e um professor desiludido que tentar conseguir respirar na sua visão de tudo que o cerca.

Na trama, acompanhamos a saga do jovem Nathan Ellis (Asa Butterfield), um jovem prodígio da matemática que busca a ajuda de Martin Humphreys (Rafe Spall), um professor brilhante mas desmotivado com a vida, para conseguir buscar uma vaga na olimpíada mundial de matemática. Ao mesmo tempo, precisa lidar com a dor da perda do pai (seu grande amigo) e tentar se comunicar melhor com sua mãe Julie Ellis (Sally Hawkins), por quem sempre teve uma certa distância.  

O personagem principal da história, Nathan, um adolescente recluso que não consegue pensar nada diferente do que matemática aplicada. Possui muitas lacunas de sociabilidade deixadas em aberto que ao longo do filme vão começando a serem preenchidas, muito pela chegada da amizade, do amor, e de uma força constante de sentimentos bons vindos de sua mãe.

A figura maternal, interpretada pela competente Sally Hawkins, é o retrato da solidão de uma mãe que vive a infelicidade diária após a perda, de maneira trágica, do marido e também por não conseguir se comunicar direito com seu único filho. Somos testemunhas das inúmeras situações onde ambos não sabem como agir. Alguns impulsos de melhorias nessa relação vem muito pela mãe, até estudar matemática ela vai. A chegada do professor Humphreys na vida da família, ajuda demais na maturidade e relação dos personagens.


Em X + Y – A Brilliant Young Mind, que dificilmente chegará aos cinemas brasileiros, a matemática pura fica em segundo plano. O que vamos decifrando aos poucos são as complicadas equações do amor, da família, dos relacionamentos de amizade, das perdas e da esperança.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...