Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer'



Depois de dirigir episódios dos sucessos American Horror Story, Glee e Red Band Society, o cineasta Alfonso Gomez-Rejon, com muita delicadeza e objetividade chega aos cinemas com seu novo projeto Eu, Você e a Garota que vai Morrer. Baseado na obra homônima de Jesse Andrews (que curiosamente também escreveu a adaptação para o cinema) e com uma narrativa deveras peculiar, em menos de 15 minutos temos um excelente raio-x do protagonista e somos conquistados pela história. O filme com certeza tem um ‘q’ de Wes Anderson, diretor que todos nós amamos.

Na trama, conhecemos Greg (Thomas Mann), um amante de filmes cults que adora utilizar seu leque de piadinhas estranhas, além de diariamente lutar para ser invisível sendo um raro mas conhecido habitante de todos os grupinhos da escola. Seu único amigo é Earl (RJ Cyler), um outro jovem bem solitário, juntos adoram passar seus tempos vagos produzindo estranhas adaptações cinematográficas. Apocalipse Now, Laranja Mecânica, muitos clássicos do cinema ganham suas versões na mente dos jovens amigos. Certo dia, a mãe de Greg dá a notícia que uma amiga dele da escola, Rachel (Olivia Cooke) está com câncer e pede para que ele se aproxime dela para ajudar neste momento difícil. A partir daí nasce uma grande amizade e várias descobertas sobre a vida vão acontecer.

A questão do convívio diário com os amigos de colégio é um pano de fundo para essa rica trama. Conhecemos a fundo o personagem principal e seu espírito solitário de se defender contra qualquer tipo de bullying que possa existir. Aterrorizado pela palavra ‘amigo’ busca abrigo em uma espécie de intenso posicionamento que inventou. O mais legal é quando ele se abre, por sua nova amizade com Rachel, e começa a ser desafiado a enfrentar sem suas ‘técnicas de socialização’ o cotidiano no colégio. O filme é brilhante nessas sequências. 

O longa-metragem fala sobre um tema pesado mas tratado com muito carinho e sentimentos bons. Eu, Você e a Garota que vai Morrer parece ter identidade própria, foge a todo instante dos possíveis clichês além de possuir algumas pausas dramáticas bem particulares. Exala simpatia também por conta de seus ótimos personagens coadjuvante, como o pai de Greg, um professor de sociologia que passa a maior parte do tempo em casa pensando sobre a vida, e também, do professor Mr. McCarthy (Jon Bernthal) com quem Greg consegue desabafar muito de seu dia a dia.

O filme estreia no Brasil no mês de novembro e, sem dúvidas, possui uma das mais criativas construções de personagens do ano. Não percam!

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...