Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Uma Repórter em Apuros'



Quem sabe, muitas vezes não diz. E quem diz muitas vezes não sabe. O negócio é apurar. Dirigido pela dupla Glenn Ficarra e John Requa (ambos diretores do fraquíssimo Golpe Duplo), Uma Repórter em Apuros é baseado no livro The Taliban Shuffle, de Kim Barker. Até agora não dá pra saber se eles queriam fazer uma comédia meio sem noção, um drama cômico ou algo parecido com isso. O importante é que o filme tem uma consistência, tanto em roteiro quanto em direção e atuações que transformam esse projeto em uma grata surpresa. Óbvio que a ideia a princípio era aproveitar a veia cômica de Tina Fey (protagonista do filme) mas ao longo da projeção, que fala sobre um tema bem polêmico na área política norte americana, o filme ganha contornos emocionantes. 

Na trama, conhecemos a solitária Kim Baker (Tina Fey), uma editora que nunca teve nas frentes das câmeras e na necessidade de sua emissora de enviar alguém para cobrir a guerra no Afeganistão, acaba topando o desafio e embarca com sua chamativa mala para frente do conflito. Chegando lá, enfrenta muitas dificuldades que vão do alojamento precário da imprensa até um certo tipo de preconceito por ser uma das poucas mulheres cobrindo esse conflito. Mas aos poucos, Kim vai mostrando seu valor e conseguindo histórias muito interessantes que cercam esse conflito. 

Em um lugar onde até pessoas experiências tomam decisões erradas, Kim embarca em sua jornada tendo sempre como guarda costas Fahim Ahmadzai. Assim, o filme vai navegando em assuntos complicados como a relação da imprensa com personagens da zona de conflito, histórias emocionantes de militares norte americanos e a própria relação entre os repórteres de muitos países cada um mostrando ao seu público sua visão da guerra. Os diálogos entre os repórteres são excelentes. Contornam a trajetória de Kim, a jornalista Tanya Vanderpoel (interpretada pela beldade Margot Robbie), o hilário fotógrafo escocês Iain MacKelpie (Martin Freeman, em uma atuação pra lá de especial) e um caricato influente da região Ali Massoud Sadiq (Alfred Molina em uma de suas melhores atuações dos últimos tempos). 

Seria um absurdo dizer que o filme pega leve com o tema proposto. Tenta sair da superfície em diversos momentos, a protagonista tem muita empatia e isso ajuda muito. Quando o longa começa, parece que vamos ver um Borat de saias ou algo tipo mas aos poucos as peças vão se encaixando e a solidez do roteiro vira um alicerce importante para que o ritmo da trama não se perca. Uma Repórter em Apuros deve estrear em breve nos cinemas brasileiros e vale a pena dar uma conferida.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...