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Crítica do filme: 'O Apartamento'

Um trauma sempre deixa cicatrizes. Vencedor dos prêmios de melhor ator e melhor roteiro no Festival de Cannes desse ano, O Apartamento é um drama com camadas profundas que passa um grande raio-x no relacionamento de um casal após um grande trauma. Com grande direção do iraniano Asghar Farhadi (que também assina o roteiro) o filme possui todos os elementos para ser lembrado nas  listas de melhores filmes do ano.

Na trama, somos apresentados ao casal Rana (Taraneh Alidoosti) e Emad (Shahab Hosseini), casados , de classe media que também são atores e estão montando a famosa peça A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller. Entre um ensaio e outro, Emad também é professor, o casal precisa se mudar de onde moram as pressas e acabam arranjando um apartamento em outra parte da cidade. Nesse novo lugar um acontecimento inesperado muda para sempre a rotina do casal.

Dos palcos à realidade. O universo teatral é muito bem detalhado nesse belo drama, diálogos suspensos por censura, o esforço cotidiano da montagem da peça, todos os elementos servem como argumento do diretor para mostrar a difícil realidade não só da família protagonista mas também de um país com marcas profundas em seu passado que reflete ao presente.  A Morte do Caixeiro Viajante fala sobre uma família que luta contra a situação complicada na qual se encontrava, assim o protagonista passa a viver de suas memórias, fatos passados e se alimentando de eventuais mudanças em um futuro. O filme retrata esse sentimento de esperança em meio ao caos dos acontecimentos do cotidiano.


A mudança na personalidade dos protagonistas afetam seus modos de ser e todos ao redor, e, esse fator drástico da mudança de pensamento sobre o mundo que vivem se torna uma série de consequências que viram ganchos importantes para os arcos que o roteiro modela com grande brilhantismo. O Apartamento é uma grande aula de cinema ambientado em um lugar com muitas ideias presas ao passado mas que não deixa nunca de questionar.

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