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Crítica do filme: 'Tarde para la Ira'

A vingança é uma espécie de justiça selvagem. Em seu primeiro trabalho como diretor de longa metragem, o ator espanhol Raúl Arévalo acerta em cheio em uma trama repleta de tensão e mistério cercando um protagonista impactante que nos faz não tirar os olhos da telona durante todos os 92 minutos de projeção. Tarde para la Ira (2016) possui um poderoso roteiro, assinado por David Pulido e também pelo diretor, e atuações marcantes. Pena que é um filme que passou desapercebido pelos premiações mundiais.

Na trama, conhecemos o pacato e misterioso José (interpretado pelo excelente ator Antonio de la Torre), um homem com um passado repleto de lacunas não preenchidas que fica muito próximo de um grupo de pessoas com quem convive quase que diariamente entre um jogo de cartas e outro. Certo dia, acaba se apaixonando pela bela Ana (Ruth Díaz) que tem um namorado de longa data chamado Curro (Luis Callejo) que foi preso por um roubo seguido de mortes a uma joalheria anos atrás. Quando Curro sai da prisão, José revela ser parente de duas vítimas do roubo a joalheria e inicia um plano sangrento de vingança.

O ponto que mais chama a atenção nesse ótimo filme é o roteiro. Dividido muito bem em arcos que levam o espectador à surpresa, as revelações são sendo feitas aos poucos e os personagens se camuflam em uma mescla de dor e emocionais conturbados. O que move o protagonista, nossos olhos do início ao fim dessa história, é a sede de vingança mas essa é revelada devagar deixando a personalidade de José ser escancarada aos nossos olhos. O longa possui surpresas e conseqüências para as ações de tirar o fôlego. É um filme muito forte onde a tensão caminha passo a passo com os personagens em cena.


As atuações são espetaculares. Cada defesa de personagem é feita com bastante maestria e guiada pelo ótimo diretor atrás das câmeras. Aos poucos vamos entendendo melhor a importância das subtramas para a chegada do grandioso clímax que o filme possui. Tarde para la Ira (2016), ainda sem tradução para o português, lembrando muito o tom usado no ótimo filme Pecados Antigos, Longas Sombras (estrelado por Raúl Arévalo) que fora lançado meses atrás no circuito brasileiro. Vamos torcer muito para que esse filme chega aos cinemas brasileiros, merece muito a conferida dos cinéfilos. Filmão!

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