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Crítica do filme: 'Kazoku wa tsuraiyo (What a Wonderful Family)'



Não quero que pense em mim sem motivos, mas que faça de mim o motivo dos seus pensamentos. Dirigido pelo experiente cineasta japonês Yôji Yamada – com mais de oitenta trabalhos como diretor inclusive o excelente, lançado no Brasil anos atrás, Uma Família em Tóquio – o longa metragem de comédia Kazoku wa tsuraiyo é um pequeno recorte de uma tradicional família japonesa que entra em erupção após um pedido de rompimento matrimonial que causa uma grande instabilidade em pais e filhos envolvidos. O filme é dividido em arcos estilo seriado de trinta minutos norte americanos mas com uma delicada pegada de cinema oriental. 

Na trama, conhecemos um velhinho aposentado, mal humorado, chato (protagonizado por Isao Hashizume) que vive uma vida confortável após a aposentadoria. Dentro de sua casa moram com ele dois de seus três filhos e a sua nora e netos, transformando o ambiente em uma grande movimentação diária. Certo dia, após voltar para casa e esquecer que era dia de aniversário de alguém muito importante recebe um inusitado pedido de divórcio de sua esposa. Assim, tentando entender (do seu jeito) o porque que sua esposa quer se separar dele, e tendo que conviver com a fofoca que rola em torno do assunto por todos que são próximos a casa, o protagonista busca, entre um drink e outro, alguma solução para a inusitada situação.

O filme é repleto de momentos interessantes mas que muitas vezes ficam apenas na superfície na hora de encontrar as razões para determinadas emoções. No primeiro arco, vemos uma inteligente apresentação dos personagens, e, mesmo bem acelerado, o roteiro consegue em um primeiro momento apresentar argumentos para construirmos uma pequena interação com a trama. No segundo ato em diante, após o pedido de divórcio, talvez por ser uma comédia e nunca sair desse gênero (nem nos momentos de emoção razoavelmente profunda) o filme se perde. É como se tivesse muitas fortes a se explorar e o roteirista escolhe abrir todas elas ao mesmo tempo, deixando o resultado bem abaixo do esperado. Um dos exemplos é a curta historia do engraçado detetive que é contratado para investigar o protagonista, que praticamente some da trama sem explicação mesmo quando descobrimos que possui forte vínculo com o mesmo.

Kazoku wa tsuraiyo veste a camisa de um Sitcom Japonês que busca seus diferenciais exatamente nas conhecidas tradições orientais. Até em relação a trilha sonora podemos ver isso, nos sentimos vendo 5 ou 6 episódios de uma curta temporada de mais um produto feito para riso fácil mas que poderia ao menos emocionar mais nossos corações.


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