Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Horizonte Bonito'

Um líder é um vendedor de esperança. Falando sobre futebol, sonhos, confiança, amizade e esperança, Horizonte Bonito navega nos conflitos e choques de duas gerações, uma de um jovem cheio de desejos a serem realizados e outra de uma vida marcada por acontecimentos polêmicos já com o coração repleto de desesperança. Um dos grandes méritos do cineasta suíço Stefan Jäger, responsável pela direção do longa metragem, é aproveitar muito bem e com simplicidade todos os elementos que contornam a história mas também não deixar de abordar diversas críticas sociais de uma região carente do mundo.

Na trama, conhecemos o carismático Admassu (Henok Tadele), um jovem que vive em uma região bastante carente da África que possui um grande sonho de ser um famoso jogador de futebol e dar orgulho para a comunidade onde vive. Quando descobre que um duvidoso e ranzinza agente de futebol Franz (Stefan Gubser) vai aterrissar em sua cidade, ele resolve bolar um plano mirabolante para ganhar a confiança dele e assim pedir que o ajude a realizar seu grande sonho. Assim, a dupla embarca em uma jornada de autodescoberta onde ambos irão aprender mais sobre a vida.

Muitos jovens no mundo todo tem o sonho de ser um jogador de futebol. Para um de nossos protagonistas é muito mais que isso, o futebol é um misto de esperança e oportunidade. A magia da simplicidade transforma uma bola de meia em momentos de diversão e confraternização com os amigos. Admassu não sabe como é o mundo fora do ligar onde vive, replica sonhos por meio de informações que chegam ao lugar onde mora, muitas vezes incompreendido, se vê sozinho dentro de seus sonhos. O ar leve do filme e quase sempre puxando pra comédia, vira o terreno perfeito para a entrada de um personagem totalmente oposto a Admassu, e, assim, as lições chegam por meio das consequências desse choque  de gerações, vivências e maneiras de ver a vida.

Sem previsão para desembarcar no circuito brasileiro, Horizonte Bonito é um grande achado em meio a ótima cinematografia alemã e suas co-produções. Um filme leve que com bastante maturidade e simplicidade se impõe com críticas sociais que atormentam nosso mundo.


Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...